Ensaiando Escritos
Sobre as coisas de uma vida inteira...
Escrita ativa...
Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
A propósito do dia do/a pastor/a Metodista
Quando levantamos a mão respondendo ao chamado de Deus para o Ministério Pastoral, não sabemos o que nos aguarda, mas temos nosso coração ardendo de vontade de alcançar mais vidas para Cristo. E, se, para isso for necessário uma dedicação exclusiva, abrimos mão de nossos empregos para viver uma caminhada itinerante, pastoreando o rebanho do Senhor onde formos designados por Deus e pela Igreja. Ao nos tornarmos pastores/as ficamos longe de nossa família e passamos a consitutir uma nova família com a comunidade de fé. É com a Igreja que passamos nossos aniversários, ano novo, festa pelo nascimento dos filhos, natal, etc. Sentimo-nos felizes pela comunidade que nos acolhe como se também fôssemos seus familiares. Mas sempre lembramos que temos a missão de pastorear esse rebanho, por isso acordamos nas madrugada para interceder pelas famílias, pela cura dos enfermos, pela restauração dos casamentos, pelo crescimento da igreja etc. Em nossas devocionais pedimos a Deus que nos dê a Palavra que vai sustentar a vida dos/as queridos/as. Durante o dia, fazemos as visitas levando conforto e consolo aos irmãos: palavras de fé e esperança; à noite estamos nos cultos ministrando a Palavra de Deus aos corações, a começar em nós; Após os cultos temos momentos de aconselhamento e/ou conversas administrativas. Nas noites em que não há cultos, fazemos as reuniões para a caminhada e bom andamento dos ministérios da Igreja. É mais ou menos isso a vida de um/a pastor/a. Estando sempre atentos/as cada vez que o telefone ou celular toca, seja durante o dia, de noite ou nas madrugadas, porque sempre pode ser alguém precisando de nossas orações e cuidados, e realmente estamos dispostos a isso. Em meio a tudo isso, também recebemos muitas demonstrações de carinho e cuidado; porém, recentemente fui surpreendida por uma mensagem no Facebook de uma garota que me disse: "Queria tanto um abraço seu hoje." Logo soaram meus instintos pastorais e acendeu a luzinha vermelha "Alguém precisa de mim." Então perguntei: "Onde você está?" Ela respondeu "No trabalho" e eu a chamei in box (conversa particular) e perguntei "O que está acontecendo? Está tudo bem com você?" ao que ela respondeu "Sim, tudo bem graças a Deus!" Fiquei perplexa, aquilo não fazia o menor sentido pra mim, criei coragem e por fim perguntei: "Então o abraço é só porque você gosta de mim?" ela respondeu "É sim pastora!" Queridos/as creiam, fiquei muito feliz, muito mesmo, por ser lembrada desta maneira tão especial e fiz uma prece ao nosso Deus para que todas as pessoas, indiscriminadamente, possam um dia experimentar este mesmo sentimento de receber um abraço despretensioso, só porque você é importante e amado: pela sua família, seu/sua pastor/a, sua igreja e seus amigos. E assim cumpra-se o Shalom de Deus em nossas vida! Em Cristo, Revda. Núria Lisboa Sales
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
A mãe que pensava que sua filha era uma árvore de natal...
Era uma vez, num lugar muito quente e distante a mãe de uma linda menina chamada Juliana. Desde que a pequena Juliana chegou ao mundo a mãe lhe enchia de laços, tiaras e fitas para que a beleza de sua filha fosse ainda mais ressaltada. A mãe passava horas a fio escolhendo qual seria o melhor acessório para a pequena usar... mas já estava enfadada de laços agora queria flores como adornos... mas como a cidade era pequena não havia nas lojas tiaras com flores como a mãe queria. Então a mãe decidiu fazer ela mesma as tiaras que queria; e assim foram feitas tiaras com flores amarelas, lilases azuis, brancas, pretas, vermelhas e por fim rosa... uma rosa imensa... imensa e linda. Ainda que muitas pessoas não entendessem, ou não gostassem da ideia, pois "ela é apenas um bebê", havia uma motivação no coração da mãe: quando sua filha crescesse e visse aquelas fotos perceberia que além das orações que a mãe fazia por ela, era também o seu desejo que sua filha aprendesse que em nossa cabeça (mente e pensamentos) devemos cultivar flores para tornar a nossa vida e a de quem está a nossa volta mais feliz e colorida. E assim elas viveram felizes para sempre. Amém.
domingo, 21 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Animando uns aos outros
No texto do capítulo 18 de 1Reis vemos o profeta Elias num dos momentos mais marcantes de seu ministério: estava diante de uma seca que durava mais de três anos, e tudo o que tinha nas mãos era uma promessa de que finalmente haveria chuva. O diferencial na história de vida de Elias é que o autor da promessa foi o próprio Deus, dessa forma o êxito seria evidente. Elias se agarra a essa promessa e diz ao rei Acabe: "...ouço o ruído de abundante chuva..." Quando Elias faz esta afirmação ao rei Acabe ainda não havia sequer uma nuvem nos céus, então como poderia ele ter ouvido o ruído da chuva? Entendemos que Elias pela fé, discerniu os acontecimentos espiritualmente: "é chegado o dia do cumprimento da promessa e creio que ela vai se cumprir; posso até saboreá-la, ou nesse caso ouvir o seu som". Mas Elias não estava sozinho, seu servo o acompanhava, e este precisava crer na mesma medida que Elias cria. Por isso o profeta ordena ao moço para olhar os céus em busca do sinal de nuvens que anunciassem a chuva. E a cada vez em que o moço subia para olhar para as bandas do mar na sua incredulidade, voltava com más noticias para o profeta que estava no alto do monte Carmelo, com os joelhos em terra, a cabeça entre os joelhos, prostrado em oração perante Deus, clamando pelo cumprimento da promessa. Elias não cedia diante das más notícias, antes incentivava o jovem: volte até lá mais uma vez! Esse jovem talvez tenha pensado em deixar Elias em sua "loucura", talvez até tenha tentado persuadir o profeta a desistir afinal não havia nenhum sinal de nuvens nos céus, mas a cada vez que chegava com a má notícia, Elias não se deixava abater dizendo: Volte lá mais uma vez... Essa caminhada, que o jovem fazia enquanto ia da presença do profeta até o local do monte onde podia contemplar melhor a imensidão dos céus, certamente foi muito angustiante, cheia de ansiedade, talvez a caminhada mais difícil de sua vida... Mas impulsionado pelas palavras do profeta não deixou de caminhar, nem vencer-se pelo desânimo, por isso foi a ele que Deus deu a graça de ver o início do grande milagre: a chuva chegando! Muitas vezes estamos em nossa caminhada de vida como esse moço, desanimados e prontos para desistir de tudo porque não vemos os "sinais" do cumprimento da promessa. Mas nessas palavras assim como encontramos consolo para nossa alma, que você também encontre para a sua. Que esse texto seja animador para você assim como foram as palavras do profeta para aquele jovem, e que desta forma nós possamos ter a graça de persistindo ver a grande manifestação da glória de Deus sobre nossas vidas. Não olhe para o chão, contemple a presença do Pai e demonstre sua fé afirmando: já posso ouvir o ruído de abundante chuva, isto é, já posso sentir a graça miraculosa de Deus alcançando minha casa, minha vida, meu emprego, minha saúde e assim sigamos em frente animando uns aos outros pelo caminho.
Em Cristo,
Revda. Núria e Rev. Gilson SalesA saga da dona aranha
Numa noite dessas cantando pra Juju dormir, buscando no fundo da memórias cantigas que pudessem acalentar o sono da minha pequena lembrei da música da dona aranha, sim aquela que todos aprendem no jardim de infância:
"A dona aranha subiu pela parede
veio a chuva forte e a derrubou
já passou a chuva e o sol já vai surgir
e a dona aranha continua a subir
ela é teimosa e desobediente
sobe sobe sobe
nunca está contente..."
Pensei tanto na letra dessa cantiga e vi que essa pequena história de aranha não está muito longe da realidade humana, creio que seja mesmo uma metáfora para aprendermos a não ser como a dona aranha.
Pense comigo: a aranha decidiu que subiria na parede, este era seu alvo, mas muitos contratempos vieram, como a chuva, o sol quente e a aranha que era teimosa e desobediente não deu muita atenção aos "sinais" de que essa não era um empreitada boa pra ela. Antes, passou toda sua vida de aranha teimando, desobedecendo e por esse motivo vivia sendo derrubada sem chances de chegar ao seu objetivo. E o pior de tudo: nunca estava contente porque buscava o alvo errado.
Agora fala sério, quantas vezes nós agimos assim, enfiamos uma coisa na cabeça e pode desabar o mundo que nada tira essa ideia da nossa cabeça. Por vezes somos avisados de que essa não é a melhor escolha, opção, que dessa forma não vai dar certo, mas persistimos; sendo derrubados a todo momento. Vivendo na busca infeliz de um alvo irrealizável.
Mas somos seres pensantes, totalmente diferentes da aranha e por isso podemos optar por dar um rumo diferente a nossa vida, novos sonhos, novos alvos, abandonar empreitadas que de tão antigas já estão nos desgastando, podemos nesse dia permitir que o novo seja bem vindo em nossa vida: novos caminhos, novos horizontes, novas possibilidades, novas perspectivas de um futuro melhor pra você e pra mim. Que assim seja!
Núria Sales
domingo, 2 de setembro de 2012
Olhos nos olhos...
Ela sempre com aqueles olhos atentos como se estivesse a indagar o porquê do mundo.. eu quis desviar o olhar mas achei que lhe devia uma resposta, foi aí que arrisquei: " - Esse mundo é mesmo estranho filha... sabe, tem muitas coisas que a gente não entende e, às vezes, buscar explicações nem sempre é a melhor escolha... Mas tem muita coisa boa aqui também... a música é algo de que você vai gostar muito... o sorriso nas pessoas é algo inspirador que faz bem a nossa alma... e a chuva, ah você vai gostar de ouvir o barulho da chuva, ver toda aquela água caindo dos céus e regando a terra é mesmo maravilhoso, um verdadeiro poema divino...e as cores, você vai ficar radiante com a quantidade de cores existentes no mundo e..." De repente percebi seu olhar fixo numa pelúcia na parede, como se a pergunta que a intrigasse fosse : "- Porque você encheu meu quarto com essas girafas?!"...
terça-feira, 24 de julho de 2012
"Pelas mãos de uma criança"
O texto do profeta Isaías no capítulo 11,6 nos fala do reinado do Messias, um tempo de paz, um tempo de justiça, harmonia e plenitude. Em meio a diversas citações o profeta diz que nesse tempo "uma criança nos guiará". Creio que temos tido em nossos dias uma prévia do que será no momento do reinado pleno do Senhor Jesus. Observando as crianças da nossa comunidade podemos ver claramente o quanto elas se alegram em ir a Casa do Senhor; estão sempre com semblante feliz, ensaiam, participam de cantatas, teatros e tudo sem reclamar ou dizer que estão sobrecarregadas. Há uma alegria intensa nas crianças nos momentos de louvor, fico observando como elas cantam, pulam e se alegram na presença do Senhor, e mais ainda, querem participar: entregar os boletins, recolher os cálices após a Santa Ceia, dar testemunho... Jesus disse que temos que ser como crianças e é preciso uma intensa reflexão sobre isso. Muitas vezes nos achamos adultos sérios e compromissados com o evangelho, mas não encontramos tempo para viver a alegria do Senhor. Se um irmão peca contra nós, ou vice-versa, guardamos aquilo no coração que como gangrena vai nos consumindo por dentro, ao passo que quando duas crianças brigam isso dura apenas minutos e logo estão juntas correndo e vivendo a Plenitude que o Senhor nos oferece. Com frequência pensamos que somos nós quem temos que ensinar as crianças, mas temos mesmo é que aprender muito com elas. Recentemente uma garotinha da Congregação Betel queria louvar a Deus com um cântico, ensaiou em casa e veio pronta mas na hora "H" ficou com medo de cantar em frente aos adultos. Conversando com ela a respeito, fiquei surpresa e honrada ao ouvir "Se você segurar na minha mão eu canto." E lá fomos as duas pra frente para que ela louvasse ao Senhor cantando "minha vitória hoje tem sabor de mel". Ela só precisava sentir-se segura e fiquei muito feliz por Deus ter me usado para proporcionar segurança a essa garotinha; e alegre por saber que temos a cada dia uma nova oportunidade de aprender com as nossas crianças, porque elas ainda confiam em nós adultos. Que o Senhor nos abençoe e nos impulsione a correspondermos ao desafio de sermos guiados por uma criança. Fraternalmente, Reverenda Núria Lisboa Sales.
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