Escrita ativa...

Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.




segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre ouvir e temer...




Deuteronômio 21.18-21
Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,
Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar;
E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.
No contexto do AT a maneira usada para exortar as pessoas a terem uma forma de vida correta, em que favorecesse uma boa convivência em comunidade e ao mesmo tempo demonstrasse fidelidade a Deus, era por intermédio das leis. Moisés dividiu o povo em tribos e sobres essas tribos constituiu capitães (Dt.1-15) que se encarregavam de fazer cumprir as leis para que não reinasse o mal no meio do povo. O texto de Deuteronômio fala sobre o que era preciso fazer /quais os procedimentos para se aplicar aos filhos desobedientes. Esses procedimentos consistiam em 04 fases: 1ª que a disciplina deveria ser algo constante na vida das famílias. a função dos pais era ensinar, instruir, disciplinar os filhos; isso no âmbito familiar que é lugar de paciência e dedicação. O texto nos mostra que agindo desta forma, que era o primeiro passo da lei, os pais não tiveram êxito, porque o filho não queria dar ouvidos a voz dos pais e continuava desobediente, rebelde, obstinado e indisciplinado; e mesmo com o castigo dos pais não lhe dava ouvidos. Esgotado todos os esforços dos pais, a 2ª fase era levá-lo aos anciãos da cidade, no portão da cidade. Os anciãos eram os responsáveis pelo cumprimento da lei no âmbito social e usavam como local de julgamento os portões de entrada das cidades. Era necessário que os pais fizessem isso, porque caso contrário a lei seria contra eles, que estariam permitindo e acobertando o mal (desobediência, rebeldia e obstinação) no meio do povo. Na terceira fase, diante dos anciãos era necessário que os pais apresentassem todas as queixas contra o filho, bem como suas tentativas de corrigi-lo. A 4ª fase era quando acontecia o julgamento. a partir de tudo que lhe é declarado, os anciãos decretam a sentença: morte por apedrejamento! Isso porque habitavam uma região onde há muitas pedras, então essa era uma maneira de extirpar o mais rápido possível o mal do meio do povo. Desta forma, ao exemplo do que aconteceu ao rapaz toda Israel iria "ouvir e temer" e a lembrança do sangue derramado todos recomeçariam suas vidas apartados do mal. Porém, se procurarmos na Bíblia algum momento em que aconteceu um fato como esse certamente não encontraremos. O que encontraremos, no NT, é O Filho, entregando sua vida, derramando seu sangue numa cruz para redimir toda a humanidade dos seus pecados e aproximar-nos de Deus. A expiação pelos nossos pecados não vem mais de um sangue que é derramado cada vez que se comete um mal e sim de um único sacrifício, pleno, perfeito e absoluto que Jesus Cristo fez por nós, cravando na cruz a cédula com a sentença que nos era contrária (Cl. 2.14). Que o nosso Deus nos dê a graça de compreendermos a amplitude do sacrifício de Jesus por nós; e que de nossa parte aprendendo a valorizar esse sacrifício prossigamos na caminhada cristã rumo a vontade de Deus. Amém.
(baseado na aula de AT ministrada pelo prof. Dr. Tércio M. Siqueira).

terça-feira, 20 de março de 2012

Falta uma coisa...


Na leitura dos evangelhos sempre encontramos Jesus em movimento, o ministério de Jesus é regido pela dinâmica do Espírito Santo. A proposta de Jesus nos revela essa dinâmica em Mt.28.19 "Indo por todo o mundo..." E aqui mesmo no capítulo 10 de Marcos há uma grande movimentação de Jesus. Ele se punha a caminho porque era exatamente aí que se encontrava com aqueles que precisavam dEle: no caminho! No meio do povo, entre as pessoas, conhecendo de perto a necessidade de cada um. Assim, a primeira lição que aprendemos com este texto é a respeito da dinâmica do ministério de Jesus; e nós como herdeiros dEle temos também que resgatar como igreja essa mesma vocação. Precisamos ser uma igreja que vai ao encontro das pessoas, uma igreja que se põe no caminho, no meio do povo abrindo-se para conhecer as necessidades da comunidade na qual está inserida. Isto porque Jesus não nos chamou para brincar de estátua, mas para a dinâmica de vida promovida pelo Espírito Santo, que sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem para onde vai. O Senhor nos convoca para juntamente com Ele nos colocarmos no caminho. O homem do text em questão (Marcos 10.17-22) só pode encontrar-se com Jesus porque Ele estava no caminho. Outro ponto a ser analisado é que no caminho Jesus se revela. No texto vemos um homem ansioso por respostas que ninguém, até aquele instante, tinha conseguido responder satisfatoriamente. Ouvindo falar de Jesus, seguiu-o de perto, presenciou seus milagres, simpatizou com sua doutrina e no momento oportuno achegou-se a presença de Jesus. E a forma como este homem agiu nos revela que sabia muito bem com quem estava falando e Jesus neste momento se revela àquele homem. Se revela como o único que pode atender aos anseios e inquietações do coração dele. E agora sim, juntos no caminho, com Jesus o conhecendo bem, decide então revelar ao homem o que precisava/faltava mudar em sua vida. Falta uma coisa: colocar Deus em primeiro lugar na sua vida. Jesus usa aqui um artifício de retórica e ao listar os mandamentos omite o primeiro, porquê? Penso eu que seja para que o próprio homem chegasse a conclusão de que este mandamento "Amar o Senhor teu Deus acima de todas as coisas", não estava presente na vida dele. Isso nos leva a refletir o quê nós temos deixado ocupar o primeiro lugar nas nossas vidas? Jesus se põe no caminho, vai ao seu encontro, responde a inquietação do teu coração e te corrige: "Ainda te falta uma coisa!" como se dissesse: "Eu ando ao seu lado, conheço as tuas obras, vejo a sinceridade que você demonstra em querer me obedecer, mas te falta uma coisa... Há algo que precisa mudar, há algo que está te atrapalhando na caminhada comigo, nossa comunhão com isso fica prejudicada...Deus sabe o que precisamos, mas nos diz também aquilo que precisamos mudar. ele não força ninguém, antes, nos olha com amor e nos propõe: "Vem, segue-me". A resposta a ele somente você pode dar...que inspirados pelas palavras do texto possamos permitir que Deus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas para honra e glória do nome Dele. Amém.