
Tentou recorrer ao Livro Sagrado, tinha certeza que ali encontraria as respostas que tanto buscava. Ele tinha certeza que sabia onde estava , mas quando chegou lá, não o encontrou, estranho, porque sempre ocupou lugar cativo na estante da sala. Decidiu ir até o quarto onde tinha certeza que havia outro exemplar, vasculhou as gavetas, e no fundo de uma delas lá estava: a Bíblia. Sentou-se com ela em mãos, ansioso por encontrar algo que lhe servisse de orientação naquele momento. Mas assim que tentou folheá-la percebeu que muitas páginas estavam coladas, e outras tomadas por manchas pretas e outras acinzentadas, era bolor. Não havia mais como ler. E agora? O que fazer? Deitou-se na cama olhando para o teto, de repente começou a lembrar da história que ouvira alguém contar sobre “o salmo amarelo”. Pessoas deixavam a bíblia aberta no lugar mais importante da casa, e dias se passavam, a página não era mudada, nem lida talvez, e a página ia amarelando com o passar do tempo. Pensavam que pelo simples fato de estar aberta a bíblia naquele salmo elas estariam protegidas. E pensando bem as palavras inspiravam mesmo proteção “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará, deitar-me faz em verdes pastos guia-me mansamente as águas tranqüilas, refrigera minha alma. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte não temerei mal nenhum porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa para mim na presença dos meus inimigos. Unges minha cabeça com óleo, meu cálice transborda. Certamente que bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.” Lembrava-se do salmo inteiro, havia decorado, mas agora ali, pronunciando aquelas palavras em voz alta, elas traziam paz ao seu coração, sentia-se em paz e protegido. Cada palavra do salmo trouxe alivio para tudo aquilo que o angustiava outrora. Agora entendia exatamente o que salmista quis dizer, sentir-se seguro por saber que está sendo cuidado por um Deus-Pastor sempre presente. Ao pensar sobre isso lembrou-se de um dia em que, ainda criança, na sala da escola bíblica a professora disse que dia tinha trazido um presente a todos da classe. Era como se pudesse REVIVER aquele momento, ela dizia que o presente era a alegria de saber que somos amados por Deus, porque “Deus amou o mundo de tal maneira que deus seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna”. Aquela lembrança soou de forma delicada e terna aos seus ouvidos: ele era amado de Deus. Começou a rir, Deus o amava e isso fazia dele naquele instante o mais feliz dos mortais. Estava protegido por um Deus que o amava e isso bastava para que ele conseguisse retomar sua caminhada de vida. Olha mais uma vez para a Bíblia em suas mãos, páginas ilegíveis agora.....mas não havia problema certamente conseguiria outra, pois a Bíblia embolorou, mas o coração do menino não!
