Escrita ativa...

Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.




sábado, 30 de abril de 2011

Sobre moderação e intensidade....


Como está em voga o termo "beba com moderação" me coloquei a pensar sobre a influencia da moderação na vida humana. Claro que por questões de saúde e vida sou abstêmia e levanto a bandeira da abstinência ao álcool como bebida. Mas em outros quesitos, o que seria exatamente uma vida moderada? Ter bom senso, saber os limites e limitações, ser comedido...ser morno? Algumas pessoas confundem essa questão de moderação e vivem de maneira insossa, sem graça. Vejo isso como se você, podendo usar todas as cores de uma aquarela, fizesse a opção sempre pelo cinza, branco e preto.... Moderação em demasia pode nos tirar o vigor e a intensidade da vida... Na minha forma de pensar Deus não foi moderado. Sempre foi intenso em Suas atitudes, usou criatividade, beleza, brilho, luz, cores...e criou tudo o que conhecemos! Uma cachoeira é por demais intensa...o arco-íris é o climax da intensidade... e os mares com toda aquela imensidão, não me sugere nada de moderado! Os sentimentos que se expressam nas escrituras a respeito de Deus, também nos revelam intensidade: "grande é a Sua benignidade...assim como o Oriente está distante do Ocidente assim afasta o pecado de nós...Sua misericórdia se renova a cada manhã...Grande é a Tua fidelidade... O Senhor Deus está no meio de ti, poderoso pra salvar, ele se deleitará em ti com alegria; esse é o meu preferido, pois nos sugere, indo aos originais, que nosso Deus saltita e dança de alegria no meio do seu povo! Já parou pra pensar a respeito? Sigamos: em romanos 5.8 Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores... e Jesus sendo Deus não teve por usurpação ser igual a Deus, mas fez-se e em forma de servo e humilhou-se até a morte e morte de cruz... Queridos Deus como toda Sua intensidade não deseja que vivamos numa "mesmice" afirmando sermos moderados... Ele quer entrega total, obediencia total, santidade plena...pra isso queridos, havemos que lançar fora essa moderação que nos aprisiona e revestirmos da intensidade de cada uma das palavras do Senhor. Penso que assim nossa vida terá mais sabor, mais vida, mais entrega, mais amor verdadeiro, misericordia genuina e empenho na pregação do Evangelho... Experimente mudar...saia da moderação pra intensidade diante do Pai... Ele te acolherá e se alegrará contigo...
PS.* Não confundir intensidade, com falta de educação!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Casamento real?


A maioria das pessoas, principalmente as mulheres, passam parte de sua adolescencia e juventude sonhando, imaginando como será o dia de seu casamento. Pensa-se sobre quem serão os padrinhos, como será o bolo, o formato do buquê, quantas serão as damas de honra, e é claro, como será o modelo do vestido?! Quando enfim acontece o casamento, a festa acaba, cada convidado volta pra sua vida, o casal retoma suas atividades diárias. Aquele dia marcante e intenso vira parte de um album de fotografia que aos poucos não é mais mostrado. O vídeo do dia inesquecível fica sem platéia pra vê-lo, pois logo se cansam e dizem: "passa logo essa parte do sermão do pastor que é muito longo e chato..." e então vem os comentários: "Tá vendo casamento é isso mesmo, agora tudo vira rotina." e aquela mesma pessoa tão cheia de sonhos e projetos, vai deixando-se corromper por esse tipo de comentários...passa então a enxergar as coisas que até então eram encantadoras, de uma forma feia e nublada...então começa o mal humor contínuo, a falta de diálogo, a divergência constante de opiniões... aos poucos tudo começa a desabar.... E agora? Não existe o tal "foram felizes para sempre?" então digo a você: ser feliz para sempre exige uma dedicação diária de ambas as partes. Isso porque o "pra sempre" começa agora. Por isso a importância em se retomar o diálogo, passeios a dois, redescobrir programas que agradem a ambos, deixar de lado a competição e investir mesmo de cabeça no seu grande sonho de ser feliz para sempre. Essa é a real na vida de casado, não há que se haver preguiça... e sim empenho, persistência e muita criatividade...respeitar e honrar seu cônjuge em toda e qualquer circunstância, nada de exposições públicas de insatisfação ou melindres... Deixo um desafio, reveja seu album de fotografias do casamento, veja o vídeo até o final, preste bem atenção aos votos que fez e a palavra que o pastor lhes trouxe... Levante-se e decida: o meu feliz para sempre começa hoje, com todo meu empenho e dedicação... Inove, reinvente-se, deixe de lado a chatice, o querer ser dono da verdade, abra mão de certas coisas, não vale a pena tanto desgaste, você descobrirá depois... Preze pela limpeza da casa, carro, jardim...mas que isso não seja prioridade... Ame e eduque seus filhos, mas lembre-se do voto feito diante do altar do Senhor com seu conjuge e ame-o como ele merece... como diria o poeta: Cuide bem do seu amor! E prepare-se para seu casamento Real...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ouça, o que o Espírito diz....


Durante seu ministério terreno Jesus sempre chamava atenção de seus ouvintes dizendo: "Quem tem ouvidos para ouvir,ouça!" Pensando a esse respeito coloquei-me a pensar sobre tudo o que temos ouvido. Tantas informações chegam até nós, via rádio, TV, via corredores da igreja....nossos ouvidos estão constantemente ocupados... afinal as informações são muitas.... O que você ouviu hoje? Te fez sentir bem? Te trouxe paz? Se não, então feche teus ouvidos pra tudo o que é ruim, e atenda ao apelo do Mestre, ouça aquilo que Ele tem pra você, isso sim são palavras de vida, esperança e animo para nossa caminhada. Deixe o Espirito Santo falar contigo e desfrute de todas as benção que Ele tem pra lhe dar.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Fiquei alegre com o que me disseram...


O Salmo 122.1 nos traz o relato da alegria do salmista "alegrei-me quando me disseram vamos a Casa do Senhor". Isso me faz pensar quão bendita foi a pessoa que fez esse convite ao salmista. Ir a Casa do Senhor é um grande privilégio, pois lá temos um tempo de dedicação exclusiva a Deus, deixamos as preocupações de lado e nos atemos a ouvir o que o Senhor nos diz. Nos empenhamos por apresentar-lhe nosso mais sincero louvor, e palavras de gratidão fluem de nossos lábios... Como consequência disso Deus nos visita através do Espírito Santo, nos fazendo sentir fortalecidos, alegres, consolados, cheios de esperança e fé para o prosseguimento da caminhada. Realmente é muito agradável ir a Casa do Senhor! Quem nos faz um convite desses é porque realmente nos ama e quer nosso bem. Mas nos entristece saber que muitas pessoas ainda não conhecem a beleza de estar diante do Rei dos Reis e preferem aceitar outros convites pra festas, baladas e outros mais. Quantos convites temos recebido ultimamente? Qual deles tem nos alegrado mais, ir a Casa do Senhor ou estar em outros lugares? O salmista em sua genuina declaração de amor a Deus, em outro salmo reafirma "um dia na tua Casa Senhor, vale mais que mil em outros lugares". Temos vivido uma época de esvaziamento das igrejas...onde estão os fiéis? Onde foi parar a alegria que sentiam em estar na Casa de Deus? Porque agora outros lugares são melhores? Há que se resgatar a alegria de pertencermos ao Senhor, a alegria de saber que Ele nos salva do pecado e da morte... O inimigo de nossas almas tem se empenhado tremendamente em roubar a alegria dos cristãos, substituindo-a por prazeres mundanos e isto tem iludido a muitos de nós. O Pai, amoroso como é, nos chama de volta: "A alegria do Senhor é a nossa força." Não permita que sua alegria de estar diante de Deus diminua, lute contra isso clamando ao Senhor: "Restitui a alegria da minha salvação." E volte a alegrar-se com o convite que o Pai amorosamente te faz: "Vinde a mim...eu vos aliviarei."

sábado, 23 de abril de 2011

E tudo vira silêncio!


Quando a saudade é muita, o silêncio é o melhor companheiro!

Palavras que somem...


Procura-se...
Acho mesmo que vou mandar um anuncio ao jornal: Estavam todas juntas, e formavam uma coesão perfeita. Faziam-se compreender claramente...mas não se sabe o motivo...as palavras sumiram!
Estranho isso né? Tanta coisa pra dizer, tanto sentimento pulsando junto com cada batida do coração e não consigo escrever uma palavra. Pra onde elas foram? Quem as levou? Será que foi durante o sono?
Isso só pode ser coisa da tristeza...porque esta quando vem, se instala em todo o espaço do nosso coração, se espalha...não deixa espaço para mais nada... As palavras fogem dela!
E quando perguntam: o que foi que te aconteceu...tudo que fazemos é menear a cabeça dando a entender que não foi nada...nada que outra pessoa possa resolver...
A ausencia de quem amamos produz tristeza, a lembrança do sorriso, o som da voz, a comida que mais gostava isso vai nos fazendo perceber que ainda não nos acostumamos a viver sem quem amamos.
Lembro de uma música do Chico que dizia: saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.
Quando se vão as pessoas que amamos, deixamos tudo como está...pra nos dar a impressão que a qualquer momento ela irá voltar...mas com o passar dos dias, caimos na realidade: ele não vai mais voltar. e então é hora de nos desfazermos das pistas desta pessoa... doamos roupas, calçados, reorganizamos o quarto...mudamos a decoração da casa...mas a saudade continua latente...e sempre vai estar...porque o amor é eterno e esse laço não se rompe.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Olhe para cima também....

Pode nos fazer um bem extremo tirar o foco do chão, erguer a cabeça e olhar um pouco pra cima, talvez alguém até queira te acompanhar nessa tarefa...contemplar a imensidão azul do céu....ou as inumeráveis estrelas luzentes....ou ficar admirando o formato das nuvens e pensando: "com o que se parece?"...Eis um hábito saudável....mirar sempre o umbigo é angustiante...olhar em volta é animador mas olhar pra cima, nos enche de esperança pra caminharmos mais confiantes...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O pássaro encantado


de: Rubem Alves

Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões:


Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava.


Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado.


Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia:


"Tenho de partir."


A menina chorava e implorava: "Por favor, não va, fico tão triste. Terei saudades e vou chorar..."


"Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar."


E partia. A menina, sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: "Se o Passaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola."


Assim aconteceu. A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda. Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu.


A menina, aproveitando-se do seu sono, engaiolou-o. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor.


"Ah! Menina...que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora..."


A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar.


Mas não foi isso que aconteceu. Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu.


Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo...


Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. "Pode ir, Pássaro", ela disse." Volte quando você quiser..."


"Obrigado, menina", disse o Pássaro." Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você!


Sobre vírgulas e pontos


Há que se dar uma pausa na vida. Calma, não falo de um ponto final, mas de uma vírgula. Uma vírgula muitas vezes é o que precisamos para reabastecer nosso coração e nossa alma... Uma vírgula, pausa pra respiração, pra termos consciência de nós mesmos, daquilo que somos e daquilo que queremos. Fazer uma limpeza na mente e tirar tudo aquilo que fica martelando e dizendo que não dará certo, que ainda é cedo demais, que a vida é assim mesmo, que temos que nos conformar.... Não! Uma vírgula é um apelo ao não conformismo. Dá pra ser diferente, dê uma respirada, olhe em volta, aspire novas possibilidades, inspire-se com elas e siga adiante. Tenha coragem de permitir-se uma pausa de vez em quando, seu coração agradece; o coitado anda cansado de tantos sentimentos avassaladores e impactantes, uma hora angustia extrema, outra hora extase sem fim, fica nesse vai-vem quem aguenta? Ninguém... por isso te digo, dê uma pausa...use mais vírgulas, pare de pensar só em pontos finais, use reticências se necessário for, mas pare um pouco...não é como omega3 mas seu coração agradece tenha certeza disso.

domingo, 17 de abril de 2011

Para Maria da Graça


de Paulo Mendes Campos

Quando ela chegou à idade avançada de 15 anos e eu lhe dei de presente o livro Alice no País das Maravilhas.

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?"

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas, nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados conseguem abrir uma porta bem fechada e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece geralmente às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser séria ou profunda.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato; experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?”.

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os corredores chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não conseguirá saber quem venceu. Para o bolso: se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde queres, ganhaste.

Disse o ratinho: "Minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois um romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo aos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida toda uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. Mas como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor. Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de sofrimento ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".

Conclusão: a própria dor tem a sua medida. É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.


Texto extraído do livro “
O Colunista do Morro”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1965, pág. 23


Chatice


de: José Paulo Paes

Chatice
Jacaré,
larga do meu pé
deixa de ser chato!
Se você tem fome,
então vê se come
só o meu sapato,
e larga do meu pé,
e volta pro seu mato,
jacaré.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Despedida ...[Marta Medeiros adapt.]


Despedir-se é o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

sábado, 9 de abril de 2011

Um poema de Fabio Campos


sobre "o gato malhado e a andorinha sinhá" de Jorge Amado

Gato Malhado

Era um gato malhado
que tinha olhos pardos
tão feios e maus
Isso era o que achavam
os bichos que davam
opinião geral

Quando era jovem corria
por entre telhados
e coisa e tal
Miava canções de amor
para a Lua tão cheia
era um sentimental...

Ah! seu gato malhado
Ah! não seja malvado
Ah! seu gato moleque!
Ah! pare de assustar!
Ah! seu gato malhado
Ah! não seja malvado
Ah! seu gato moleque
pare de assustar!

Dizem que o gato malhado
havia engolido
o pobre sabiá
E que uma pomba rolinha
virara petisco
para o seu jantar

Falam más linguas que o gato
roubara os ovinhos prá se alimentar
E que arranhava os focinhos
de todos os cachorros que vinham brincar

Só que o tal gato malhado
não era o malvado que diziam ser
Era sim um preguiçoso,
molengo deitado ao sol a viver
Nem bem sabia ao certo
o que se dizia pelo matagal
Nunca fizera maldade somente botou
cascavel prá correr

Eu sou o gato malhado
Não eu não sou tão malvado,
Sou meio mal humorado
mas não vou te assustar
Eu sou o gato malhado
Não eu não sou tão malvado,
Sou mal-humorado
mas eu não vou te assustar
miau!

Enjoy the silence

sexta-feira, 8 de abril de 2011

S.O.S. Realengo/RJ

É preciso chorar...



Sobre a tragédia em Realengo-RJ, assim que a noticia foi divulgada pela mídia, surgiram muitas pessoas comovidas, preocupadas e desesperadas com a situação. No noticiário da manhã, uma pediatra/psicóloga vendo e ouvindo o choro desesperado de diversas mães, sugeria que a melhor forma de conter tudo isso era fazendo listagens com os nomes das crianças mortas, os nomes das feridas e os nomes das sobreviventes e afixá-las no portão do colégio. Isso tudo a fim de que as mãe que tinham seus filhos ainda vivos não se desesperassem em choros desnecessários.

O choro incomoda. E queremos encontrar sempre uma forma para calar quem chora.

Sei que a doutora quis ajudar, como todos queremos de alguma forma. Mas penso que as mães que ali foram não choravam somente pelos próprios filhos, mas por todos, pela situação, pelo desamparo, pela fragilidade da vida e do sistema, pela angústia e transtorno... Todas choravam por todos. Independente da informação que recebiam continuavam ali, solidárias, chorando, amparando umas as outras... Afinal, a dor de uma era a dor de todas.

Essa situação me lembra o ditado “Um filho enterra a mãe, mas para a mãe, quão difícil é enterrar um filho”. Isso fere a lógica da natureza, em que se espera que os mais velhos morram primeiro, mas nos esquecemos que a morte não segue regras.

Gosto muito do texto bíblico em apocalipse 21.4 que nos consola dizendo que “Deus enxugará de nossos olhos cada uma das lágrimas, e a morte já não existirá, já não haverá mais luto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”

Muitas situações em nossas vidas nos levam ao choro. Tragédias acometem frequentemente a nossa vida e aquelas que estão a nossa volta. Nosso impulso quando vemos alguém chorando é dizer “Não chore”. Cresci ouvindo esse tipo de comentário e confesso que eu mesma já disse isso diversas vezes. Mas parando melhor pra pensar, chorar é uma forma de desabafar, é uma forma de declararmos, ainda que inconscientemente, nossa impotência diante de algumas situações, principalmente diante da morte. O choro faz parte da elaboração do luto já dizia a professora Blanches de Paula. Chorar não é feio, não é imoral, não é falta de fé e nem falta de esperança! É apenas um processo natural do ser humano.

Então porque interromper esse momento na vida das pessoas? Seria por mero egoísmo nosso? Por não sabermos o que fazer diante da dor alheia, pedimos que parem de chorar a fim de que não nos sintamos impotentes também? Imagino que se quisermos o bem da pessoa a quem amparamos devemos incentivá-las: “Sim, pode chorar, chore mesmo” afinal é a única coisa que podem fazer, e isso lhes fará bem. Se não virem palavras para consolar aquele que sofre (o que é bom, aprendermos a calarmos de vez em quando), apenas chore junto com ele, compartilhe esse momento, seja misericordioso.

Penso que as lágrimas, muitas vezes, sobem a Deus em forma de oração, e Ele em Sua infinita misericórdia vem ao nosso encontro, nos oferece Seu ombro e nos abraça e consola: “Muito em breve, enxugarei dos teus olhos cada uma dessas lágrimas e delas você nem se lembrará mais...”

Vamos deixar de lado essa casca que se formou sobre nós ao longo dos anos, tentando nos embrutecer, não tenha medo das lágrimas, chore! É necessário que elas venham para que um dia sejamos consolados pelo Senhor, que enxugará uma a uma essas lágrimas, então Ele mesmo removerá tudo aquilo que um dia nos trouxe dor e desespero.

Chore pelas mães de Realengo, chore junto com elas e deixe todo o mais aos cuidados do nosso Pai. Lembrando sempre da máxima da fé cristã: a morte não é o final.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

E tu o que me diz?


Trazendo a memória o conhecido relato de João capítulo 8.1-11, temos a narrativa da mulher pega em flagrante adultério; alguns estudiosos, dizem que tal mulher foi induzida a prática deste ato, pelos escribas e fariseus, que queriam uma forma de chegar até Jesus com uma cilada e o acusarem. Sem argumentos favoráveis a tal embasamento, seguimos observando o que se passa ali.

Uma mulher a mercê da condenação popular devido aos seus erros. Agora, pega por seus algozes, exposta diante de todos, ela pode ouvi-los fazerem a pergunta a Jesus: “Na lei, Moisés manda que seja apedrejada. Tu, pois, que dizes?” Estes recebem de Jesus uma resposta inesperada: “Aquele que não tem pecados, atire a primeira pedra!” Pararam para refletir e se acharam indignos de atirarem a pedra, posto, que reconheciam-se pecadores.

O mais bonito no texto porém, acontece quando Jesus olhando em volta faz uma observação: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?” ao passo que a mulher responde “Ninguém”. Jesus com amor e zelo a conforta: “Eu também não te condeno, vá e não peques mais.” O único ali sem pecados, não quis atirar pedras contra a mulher pecadora, antes a instruiu para uma vida renovada.

Penso que não há pessoa que ao ouvir tal relato, não se sinta confortado pelo pensamento: Deus perdoa, e concede nova oportunidade! Sentindo isso saímos da igreja como coração aliviado. Esse alívio transborda aos nossos familiares e queridos, como se estivéssemos em estado de graça! Dormimos pensando na imensidão do amor de Deus por nós. Mas ao acordarmos, nos preparando para mais um dia de trabalho e lida diária, tomamos nosso café, fazemos nossas preces, mas sempre nos lembramos de olhar na bolsa, ou na pasta que carregamos para ver se nosso estoque de pedras ainda está ali. Só então, estamos preparados para mais um dia! Sim, pois as pessoas são más, muito más. Imaginem só: elas bebem, traem umas as outras, são infiéis, estão atoladas nos vícios, mentem, enganam...

Alguém tem que fazer alguma justiça para que isso não continue acontecendo! E quem mais qualificados do que nós, que conhecemos o amor de Deus?! Isso mesmo, estamos aptos a julgar e sentenciar aqueles pecadores. Logo apanhamos uma de nossas pedras e atiramos contra aquela menina que sempre troca de namorados; outra pedra contra aquele que vive sendo “aviãozinho” para os traficantes; outra para aqueles filhinhos de papai que vivem fazendo rachas por aí; mais uma pedra, esta agora para aqueles que ao invés de irem ao culto de oração ficam nas portas dos botecos da vida; e ainda outra pedra para...ah que pena, o estoque de hoje não foi suficiente! Amanhã será outro dia e então traremos aquelas que faltaram... ainda há muitas pessoas a serem apedrejadas! Não podemos abandonar nossos postos!

Se você achou que estou enlouquecendo ao escrever isso, tenha muita calma meu irmão! Vamos repensar: Deus nos ama e nos perdoa, por isso também o amamos; conhecemos e nos dedicamos a conhecer Sua palavra, Sua vontade e tudo isso é muito bom. Mas isso não nos torna aptos para sairmos por aí julgando as pessoas pelo que elas são ou pelo que fazem.

Talvez seu consciente até saiba disso, mas não é assim que nosso subconsciente age. Frequentemente estamos apontando, cochichando, falando mal, sentenciando outras pessoas, isso é o mesmo que atirar pedras. A mesma palavra que diz que Jesus fez o sacrifício pelos nossos pecados também nos diz: não só pelos nossos mas pelo mundo inteiro (1 João.2.2). O amor e perdão que temos recebido de Deus, precisa nos mover a um coração mais misericordioso. Não cabe a nós julgar ninguém, o julgamento pertence a Deus. Nem Jesus desejou ser Juiz: “Ele não veio para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio d’Ele (João 3.17).”

Queridos, vamos jogar fora todas essas pedras que carregamos conosco, quando virmos algo que consideramos que não é correto, ao invés de falar mal, vamos orar, interceder por aquelas pessoas, aí sim estaremos agindo em semelhança a Jesus. Irmãos, fica o convite para vigiarmos a fim de que não sejamos nós a cair nas ciladas do inimigo. É isso mesmo que ele quer, nos jogar uns contra os outros, nos fazer julgar as pessoas, nos afastando dos propósitos de Deus a nós. Sejamos firmes e fiéis a Deus, que Ele não encontre difamação em nossos lábios e coração e que veja em nós filhos amados em quem Ele possa se alegrar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pai, eu quero recomeçar....


No Evangelho de Lucas capítulo 15 encontramos: “A parábola do filho pródigo”. Ali vemos um jovem que tomado pelas ambições e ilusões do mundo decide sair de casa, levando a sua parte da herança. Quando ele se vê longe da casa paterna e com os bolsos cheios de dinheiro, empolga-se com os prazeres e luzes da cidade gastando tudo o que tem, como um grande esbanjador, sendo este o significado do termo “pródigo”. No momento em que percebe que está sem nada, usa toda sua ousadia e criatividade em busca de emprego; e consegue trabalhar como tratador de porcos, o que para um judeu seria o “fundo do poço”. Exercendo essa função, de repente ele entende que seu lugar não era ali. Ele tinha um pai, que certamente o receberia de volta. E mais uma vez, apegado a sua ousadia o jovem decide voltar com humildade, para a Casa do Pai. Queridos, sabemos que esta tem sido a história de vida de muitos de nós. Talvez em algum momento de sua caminhada você tenha decidido ser “independente” se afastando da Casa Paterna e da presença de Deus nosso Pai. Talvez você tenha sofrido muito, e até perdido todos os seus investimentos e agora tenha voltado, como fez aquele jovem. E nesse instante, talvez esteja refletindo: “Eu voltei, mas as coisas continuam ruins para mim, e até piores!” Irmão, assim como aquele pai se alegrou com a volta de seu filho, Deus se alegra que você tenha voltado para a presença d’Ele. Deus tem um anel para pôr em seu dedo, sandálias para os seus pés e uma grande festa pela tua volta. Mas se isso ainda não está acontecendo, talvez seja porque você ainda não tenha tido ousadia suficiente para se humilhar diante do Pai e dizer: “*Pai eu nem sei o que te falar, mas eu quero recomeçar me ajuda nesse instante*.” Confesse ao Senhor o seu erro, dê nome ao seu pecado, se exponha diante de Deus, Ele é nosso Pai Amoroso e está ansioso para abençoar, mudar sua vida e te ensinar a trilhar um caminho novo. Meus irmãos, é preciso muita ousadia para ser humilde, mas foram essas duas atitudes que fizeram todo o diferencial na vida do jovem que arrependido voltou para seu pai e de tratador de porcos voltou a ser Filho amado! É isso que Deus tem pra sua vida, “o que olhos não viram, nem ouvidos ouviram , nem jamais subiu ao coração humano é o que Deus tem preparado para você que o ama.”1Coríntios 2.9


**Paráfrase do texto original, com letra da música Recomeçar de Aline Barros.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre perdas e soluções...


Sobre perdas e soluções...

"Ou, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: 'Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida". Lucas 15:8,9 – NVI

Este texto nos apresenta um momento de tragédia e perda vivenciadas por uma mulher. Podemos pesquisar diversas fontes e encontrar muitas explicações sobre a importância desse fato na vida dessa mulher, porém, vou me ater a um comentário bíblico ao qual tive acesso recentemente. Quando uma mulher estava para ser desposada, ainda na condição de noiva, recebia de seu pretendente um colar feito com dez dracmas. Não era uma jóia valiosa, financeiramente falando, mas era uma prova de aliança estabelecida entre os noivos e da fidelidade que deveriam manter sempre ao outro. Em vista disso, imaginemos o transtorno que vivenciou esta mulher ao se deparar apenas com nove dracmas em seu colar. Aquilo seria uma prova de descompromisso, descaso e quebra de aliança, ou ainda pior: infidelidade. Diante dessa situação ela poderia muito bem chorar, se lamentar, ficar deitada dias a fio, sem se alimentar e entregar-se oficialmente ao desespero, afinal o futuro de sua vida estava por ruir-se. Mas não foi isso que ela fez! Diagnosticada a perda da moeda esta mulher se nutre de toda a coragem que consegue e vai em busca de sua moeda. Nesse momento encontra um primeiro impedimento: estava escuro! As casas naquele tempo não tinham janelas e a pouca claridade que entrava era somente pela porta, aquela sua busca se tornava então muito difícil, como reaver a moeda perdida em meio à escuridão de sua casa? Olhando aquela situação, ela pensa rápido e acende uma candeia, agora não estava mais escuro e podia ver com clareza os ambientes da casa para encontrar sua moeda. Segue-se então o segundo impedimento: havia muito pó em todo o chão, um objeto tão pequeno ficaria imperceptível embaixo de tanta poeira. Agora sim, tudo estava perdido! Mas isso também não abateu aquela mulher, rapidamente alcançou uma vassoura e passou a varrer toda a casa eliminando assim o empecilho da poeira. Mas mesmo diante desse esforço, não encontrou sua moeda. O que restava a ela, sentar-se e chorar? Não! Ela era uma resistente, uma mulher decidida, iria encontrar a moeda mesmo que fosse pra se ajoelhar no chão, olhar nos cantos da casa, entrar embaixo dos móveis e verificar cada centímetro da casa. E por sua persistência e bravura, recebeu sua recompensa encontrou sua moeda perdida. O texto não nos informa sobre onde estava a moeda mas sabemos que o esforço pra encontra-la foi grande o que nos faz pensar num lugar de difícil acesso. Agora, com seu colar completo, ela decide, “esse é o momento de chamar minhas amigas e celebrar, porque agora reencontrei minha moeda perdida, meu colar está completo de novo e tenho um futuro brilhante pela frente, demonstrando minha fidelidade e comprometimento com meu noivo.” Hoje, também nós temos perdido muitas coisas valiosas pra nós. E não digo sobre nada financeiro. Talvez tenhamos perdido nossa alegria, nossa paz, nosso casamento, nossos sonhos, projetos de vida e agora nos sintamos como aquela mulher a beira de ser expostos a vergonha pública e sermos considerados fadados a uma trajetória de fracassos. Esses pensamentos nos afligem, nos fazem perder o sono sem vislumbrar uma perspectiva boa para nosso futuro. Mediante isso, temos a escolha de assentar e chorar, ou seguir o exemplo de resistência daquela mulher. Agora talvez, você não consiga ver nada que possa mudar sua situação, mas lembre-se é necessário que você acenda a luz! Pois quando vivemos situações de fragilidades emocionais, nosso coração se fecha e entra em trevas, mas quando decidimos acender uma luz de esperança podemos visualizar possibilidades de melhora. A luz que devemos buscar é Cristo, pois é Ele mesmo quem afirma “...aquele que me seguir não andará em trevas mas terá a luz da vida (João 8.12).” Nossa caminhada rumo a recuperação de tudo que temos perdido começa com Jesus. Ele sim, nos dará as indicações que devemos seguir para recuperar o que perdemos. Quando deixamos a luz de Cristo brilhar em nosso coração, podemos perceber quanta coisa desnecessária enche de poeira nosso coração minando nossas forças, energia e entendimento. Diante disso precisamos deixar que Jesus faça a limpeza em nosso coração. Assim como aquela mulher pegou a vassoura e passou a varrer todo acúmulo de poeira, Jesus através da presença do Espírito Santo, quer limpar nosso coração livrando-nos de tudo que pode nos fazer sucumbir as trevas: tristeza, amargura, falta de perdão, rancor, ira, falta de fé, desanimo... Ele decide varrer tudo isso pra fora de nosso coração, nossa função, é permitir que Ele faça essa limpeza, se permitirmos, nos sentiremos mais leves, calmos, pacientes e com esperanças renovadas. Agora, com o coração iluminado pela luz de Cristo e limpo pela ação do Espírito Santo de Deus, vem a nossa parte. Sim, agora cabe a nós, procurar diligentemente o que foi perdido, nos esforçando e partindo para a ação. Nesse momento devemos procurar quem nos ofendeu, ou a quem ofendemos, acertar tudo com o perdão, fazer uma reconciliação, abrir mão de certas “verdades” que só emperram um relacionamento de ir em frente; sair em busca de um emprego novo; fazer um curso de reciclagem; refazer seus projetos de vida...ou seja, seguir em frente, só que agora, com coração transformado, cheio de esperança, contando com a luz de Cristo, a graça de Deus e a ação plena do Espírito Santo. Perceber que não estamos sozinhos nos ajuda a levantar da cama e enfrentar a lida diária, Cristo caminha conosco, não permitirá que as trevas tomem conta de nós e nos lancem numa cama de depressão. Antes, nos conduzirá numa vivência plena de amor e cuidado. Assim, cuidadosos e cuidados não seremos mais perdedores, e sim vencedores em Cristo Jesus. Mas e a festa? A festa de celebração de reencontrar o que foi perdido acontece em cada uma das etapas que descrevemos acima, culminando com cada um de nós recebendo e reconhecendo a vida com toda sua beleza e esplendor como a maior festa ofertada por Deus a nós como seres humanos. Portanto, vista-se e venha participar da festa e da alegria de viver com Cristo como companheiro de caminhada. Nessa esperança prossigamos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sobre os tesouros de um coração...


O texto no evangelho de Mateus 6.21 nos remete a um pensamento de suma importância para nossa vivência cristã: “Onde estiver o vosso tesouro, ai estará também o vosso coração”. Por ser um texto muito conhecido e memorizado, muitas vezes, não damos atenção a seu devido valor e, este acaba entrando para o quadro das citações usuais evangélicas. Mas o desejo de Jesus é que paremos para refletir sinceramente sobre esta questão, por isso Ele o inseriu como parte em Seu Sermão da Montanha. Interessante notar que antes de falar sobre a importância de sabermos onde está nosso tesouro e nosso coração, Jesus nos lembra sobre o perigo de fazermos da riqueza terrena o nosso tesouro. Inclusive nos alertando sobre a segurança de termos um tesouro nos céus, pois, lá: “a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não minam nem roubam”. E nesse mesmo capítulo Jesus informa que os olhos são a lâmpada do nosso corpo, se nossos olhos forem bons, todo nosso corpo será luminoso. Mas caso contrário, se nossos olhos forem maus quão grandes trevas viveremos. Refletindo sobre esse texto me coloquei a pensar: qual a relação entre tesouro, coração e olhos? Analisando esses três itens, começando do último, temos expressa a importância de sabermos se os nossos olhos são bons. Pois com os olhos observamos e atribuímos valores a coisa e pessoas. Assim, primeiro olhamos algo ou alguém, lhe atribuímos um valor e então passamos a deseja-lo ou descarta-lo. A Palavra nos ensina que somente os olhos bons sabem escolher aquilo que realmente tem valor não nos causando danos, antes, nos conduzindo a andar na luz. Queridos diante disso pensemos: o que temos visto tem nos trazido trevas ou luz? Será que temos dado o devido valor aquilo que agrada ao coração de Deus, ou, temos pensado apenas no que agrada a nós mesmos? Somente depois de analisarmos essa questão com sinceridade, estaremos preparados para descobrir onde está o nosso tesouro e o nosso coração. O próximo item para nossa análise seria o termo coração, mas jamais conseguiremos neste texto, analisar o coração em separado de tesouro, porque segundo o ensinamento de Jesus, tesouro e coração são interligados, entrelaçados. Não acontece como pensamos, que primeiro guardamos algo em nosso coração e depois fazemos dele nosso tesouro. A lógica de Cristo é exatamente o oposto: o coração segue o tesouro. Onde estiver o tesouro aí estará o coração! Aquilo que nossos olhos veem, desejam e atribuem valor, o constituímos nosso tesouro e então passamos a guardar em nosso cofre secreto: o coração. Tudo passa pelo processo de olhar, atribuir valor, desejar e decidir guardar dentro do coração. Creio que se conseguirmos aprender a filtrar tudo aquilo que vemos e valorizamos, iremos conseguir desentulhar nosso coração de aborrecimentos, rixas, magoas, ressentimentos, preocupações... Pois estaremos aprendendo a descobrir que nada disso tem valor de um genuíno tesouro e, por isso, não deve ser mantido em nosso coração. O Pai Celestial bem sabe de cada coisa que você precisa (v.32), e em vista disso, o apelo que nos faz é para que nos desapeguemos das riquezas e bens materiais. E em vez disso, que possamos buscar o Reino de Deus, nosso real tesouro. Oremos a fim de que o Senhor purifique nossos olhos e nosso entendimento, que nos dê discernimento, pois só assim estaremos guardando verdadeiros tesouros em nosso coração.
Na esperança que Cristo sempre nos oferece, Revda. Núria