
Sobre a tragédia em Realengo-RJ, assim que a noticia foi divulgada pela mídia, surgiram muitas pessoas comovidas, preocupadas e desesperadas com a situação. No noticiário da manhã, uma pediatra/psicóloga vendo e ouvindo o choro desesperado de diversas mães, sugeria que a melhor forma de conter tudo isso era fazendo listagens com os nomes das crianças mortas, os nomes das feridas e os nomes das sobreviventes e afixá-las no portão do colégio. Isso tudo a fim de que as mãe que tinham seus filhos ainda vivos não se desesperassem em choros desnecessários.
O choro incomoda. E queremos encontrar sempre uma forma para calar quem chora.
Sei que a doutora quis ajudar, como todos queremos de alguma forma. Mas penso que as mães que ali foram não choravam somente pelos próprios filhos, mas por todos, pela situação, pelo desamparo, pela fragilidade da vida e do sistema, pela angústia e transtorno... Todas choravam por todos. Independente da informação que recebiam continuavam ali, solidárias, chorando, amparando umas as outras... Afinal, a dor de uma era a dor de todas.
Essa situação me lembra o ditado “Um filho enterra a mãe, mas para a mãe, quão difícil é enterrar um filho”. Isso fere a lógica da natureza, em que se espera que os mais velhos morram primeiro, mas nos esquecemos que a morte não segue regras.
Gosto muito do texto bíblico em apocalipse 21.4 que nos consola dizendo que “Deus enxugará de nossos olhos cada uma das lágrimas, e a morte já não existirá, já não haverá mais luto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”
Muitas situações em nossas vidas nos levam ao choro. Tragédias acometem frequentemente a nossa vida e aquelas que estão a nossa volta. Nosso impulso quando vemos alguém chorando é dizer “Não chore”. Cresci ouvindo esse tipo de comentário e confesso que eu mesma já disse isso diversas vezes. Mas parando melhor pra pensar, chorar é uma forma de desabafar, é uma forma de declararmos, ainda que inconscientemente, nossa impotência diante de algumas situações, principalmente diante da morte. O choro faz parte da elaboração do luto já dizia a professora Blanches de Paula. Chorar não é feio, não é imoral, não é falta de fé e nem falta de esperança! É apenas um processo natural do ser humano.
Então porque interromper esse momento na vida das pessoas? Seria por mero egoísmo nosso? Por não sabermos o que fazer diante da dor alheia, pedimos que parem de chorar a fim de que não nos sintamos impotentes também? Imagino que se quisermos o bem da pessoa a quem amparamos devemos incentivá-las: “Sim, pode chorar, chore mesmo” afinal é a única coisa que podem fazer, e isso lhes fará bem. Se não virem palavras para consolar aquele que sofre (o que é bom, aprendermos a calarmos de vez em quando), apenas chore junto com ele, compartilhe esse momento, seja misericordioso.
Penso que as lágrimas, muitas vezes, sobem a Deus em forma de oração, e Ele em Sua infinita misericórdia vem ao nosso encontro, nos oferece Seu ombro e nos abraça e consola: “Muito em breve, enxugarei dos teus olhos cada uma dessas lágrimas e delas você nem se lembrará mais...”
Vamos deixar de lado essa casca que se formou sobre nós ao longo dos anos, tentando nos embrutecer, não tenha medo das lágrimas, chore! É necessário que elas venham para que um dia sejamos consolados pelo Senhor, que enxugará uma a uma essas lágrimas, então Ele mesmo removerá tudo aquilo que um dia nos trouxe dor e desespero.
Chore pelas mães de Realengo, chore junto com elas e deixe todo o mais aos cuidados do nosso Pai. Lembrando sempre da máxima da fé cristã: a morte não é o final.
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