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quarta-feira, 6 de abril de 2011

E tu o que me diz?


Trazendo a memória o conhecido relato de João capítulo 8.1-11, temos a narrativa da mulher pega em flagrante adultério; alguns estudiosos, dizem que tal mulher foi induzida a prática deste ato, pelos escribas e fariseus, que queriam uma forma de chegar até Jesus com uma cilada e o acusarem. Sem argumentos favoráveis a tal embasamento, seguimos observando o que se passa ali.

Uma mulher a mercê da condenação popular devido aos seus erros. Agora, pega por seus algozes, exposta diante de todos, ela pode ouvi-los fazerem a pergunta a Jesus: “Na lei, Moisés manda que seja apedrejada. Tu, pois, que dizes?” Estes recebem de Jesus uma resposta inesperada: “Aquele que não tem pecados, atire a primeira pedra!” Pararam para refletir e se acharam indignos de atirarem a pedra, posto, que reconheciam-se pecadores.

O mais bonito no texto porém, acontece quando Jesus olhando em volta faz uma observação: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?” ao passo que a mulher responde “Ninguém”. Jesus com amor e zelo a conforta: “Eu também não te condeno, vá e não peques mais.” O único ali sem pecados, não quis atirar pedras contra a mulher pecadora, antes a instruiu para uma vida renovada.

Penso que não há pessoa que ao ouvir tal relato, não se sinta confortado pelo pensamento: Deus perdoa, e concede nova oportunidade! Sentindo isso saímos da igreja como coração aliviado. Esse alívio transborda aos nossos familiares e queridos, como se estivéssemos em estado de graça! Dormimos pensando na imensidão do amor de Deus por nós. Mas ao acordarmos, nos preparando para mais um dia de trabalho e lida diária, tomamos nosso café, fazemos nossas preces, mas sempre nos lembramos de olhar na bolsa, ou na pasta que carregamos para ver se nosso estoque de pedras ainda está ali. Só então, estamos preparados para mais um dia! Sim, pois as pessoas são más, muito más. Imaginem só: elas bebem, traem umas as outras, são infiéis, estão atoladas nos vícios, mentem, enganam...

Alguém tem que fazer alguma justiça para que isso não continue acontecendo! E quem mais qualificados do que nós, que conhecemos o amor de Deus?! Isso mesmo, estamos aptos a julgar e sentenciar aqueles pecadores. Logo apanhamos uma de nossas pedras e atiramos contra aquela menina que sempre troca de namorados; outra pedra contra aquele que vive sendo “aviãozinho” para os traficantes; outra para aqueles filhinhos de papai que vivem fazendo rachas por aí; mais uma pedra, esta agora para aqueles que ao invés de irem ao culto de oração ficam nas portas dos botecos da vida; e ainda outra pedra para...ah que pena, o estoque de hoje não foi suficiente! Amanhã será outro dia e então traremos aquelas que faltaram... ainda há muitas pessoas a serem apedrejadas! Não podemos abandonar nossos postos!

Se você achou que estou enlouquecendo ao escrever isso, tenha muita calma meu irmão! Vamos repensar: Deus nos ama e nos perdoa, por isso também o amamos; conhecemos e nos dedicamos a conhecer Sua palavra, Sua vontade e tudo isso é muito bom. Mas isso não nos torna aptos para sairmos por aí julgando as pessoas pelo que elas são ou pelo que fazem.

Talvez seu consciente até saiba disso, mas não é assim que nosso subconsciente age. Frequentemente estamos apontando, cochichando, falando mal, sentenciando outras pessoas, isso é o mesmo que atirar pedras. A mesma palavra que diz que Jesus fez o sacrifício pelos nossos pecados também nos diz: não só pelos nossos mas pelo mundo inteiro (1 João.2.2). O amor e perdão que temos recebido de Deus, precisa nos mover a um coração mais misericordioso. Não cabe a nós julgar ninguém, o julgamento pertence a Deus. Nem Jesus desejou ser Juiz: “Ele não veio para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio d’Ele (João 3.17).”

Queridos, vamos jogar fora todas essas pedras que carregamos conosco, quando virmos algo que consideramos que não é correto, ao invés de falar mal, vamos orar, interceder por aquelas pessoas, aí sim estaremos agindo em semelhança a Jesus. Irmãos, fica o convite para vigiarmos a fim de que não sejamos nós a cair nas ciladas do inimigo. É isso mesmo que ele quer, nos jogar uns contra os outros, nos fazer julgar as pessoas, nos afastando dos propósitos de Deus a nós. Sejamos firmes e fiéis a Deus, que Ele não encontre difamação em nossos lábios e coração e que veja em nós filhos amados em quem Ele possa se alegrar.

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