Escrita ativa...

Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.




quinta-feira, 4 de abril de 2013

A propósito do dia do/a pastor/a Metodista



Quando levantamos a mão respondendo ao chamado de Deus para o Ministério Pastoral, não sabemos o que nos aguarda, mas temos nosso coração ardendo de vontade de alcançar mais vidas para Cristo. E, se, para isso for necessário uma dedicação exclusiva, abrimos mão de nossos empregos para viver uma caminhada itinerante, pastoreando o rebanho do Senhor onde formos designados por Deus e pela Igreja. Ao nos tornarmos pastores/as ficamos longe de nossa família e passamos a consitutir uma nova família com a comunidade de fé. É com a Igreja que passamos nossos aniversários, ano novo, festa pelo nascimento dos filhos, natal, etc. Sentimo-nos felizes pela comunidade que nos acolhe como se também fôssemos seus familiares. Mas sempre lembramos que temos a missão de pastorear esse rebanho, por isso acordamos nas madrugada para interceder pelas famílias, pela cura dos enfermos, pela restauração dos casamentos, pelo crescimento da igreja etc. Em nossas devocionais pedimos a Deus  que nos dê a Palavra que vai sustentar a vida dos/as queridos/as. Durante o dia, fazemos as visitas levando conforto e consolo aos irmãos: palavras de fé e esperança; à noite estamos nos cultos ministrando a Palavra de Deus aos corações, a começar em nós; Após os cultos temos momentos de aconselhamento e/ou conversas administrativas. Nas noites em que não há cultos, fazemos as reuniões para a caminhada e bom andamento dos ministérios da Igreja. É mais ou menos isso a vida de um/a pastor/a. Estando sempre atentos/as cada vez que o telefone ou celular toca, seja durante o dia, de noite ou nas madrugadas, porque sempre pode ser alguém precisando de nossas orações e cuidados, e realmente estamos dispostos a isso. Em meio a tudo isso, também recebemos muitas demonstrações de carinho e cuidado; porém, recentemente fui surpreendida por uma mensagem no Facebook de uma garota que me disse: "Queria tanto um abraço seu hoje." Logo soaram meus instintos pastorais e acendeu a luzinha vermelha "Alguém precisa de mim." Então perguntei: "Onde você está?" Ela respondeu "No trabalho" e eu a chamei in box (conversa particular) e perguntei "O que está acontecendo? Está tudo bem com você?" ao que ela respondeu "Sim, tudo bem graças a Deus!" Fiquei perplexa, aquilo não fazia o menor sentido pra mim, criei coragem e por fim perguntei: "Então o abraço é só porque você gosta de mim?" ela respondeu "É sim pastora!" Queridos/as creiam, fiquei muito feliz, muito mesmo, por ser lembrada desta maneira tão especial e fiz uma prece ao nosso Deus para que todas as pessoas, indiscriminadamente, possam um dia experimentar este mesmo sentimento de  receber um abraço despretensioso, só porque você é importante e amado: pela sua família, seu/sua pastor/a, sua igreja e seus amigos. E assim cumpra-se o Shalom de Deus em nossas vida! Em Cristo, Revda. Núria Lisboa Sales

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A mãe que pensava que sua filha era uma árvore de natal...



Era uma vez, num lugar muito quente e distante a mãe de uma linda menina chamada Juliana. Desde que a pequena Juliana chegou ao mundo a mãe lhe enchia de laços, tiaras e fitas para que a beleza de sua filha fosse ainda mais ressaltada. A mãe passava horas a fio escolhendo qual seria o melhor acessório para a pequena usar... mas já estava enfadada de laços agora queria flores como adornos... mas como a cidade era pequena não havia nas lojas tiaras com flores como a mãe queria. Então a mãe decidiu fazer ela mesma as tiaras que queria; e assim foram feitas tiaras com flores amarelas, lilases  azuis, brancas, pretas, vermelhas e por fim rosa... uma rosa imensa... imensa e linda. Ainda que muitas pessoas não entendessem, ou não gostassem da ideia, pois "ela é apenas um bebê", havia uma motivação no coração da mãe: quando sua filha crescesse e visse aquelas fotos perceberia que além das orações que a mãe fazia por ela, era também o seu desejo que sua filha aprendesse que em nossa cabeça (mente e pensamentos) devemos cultivar flores para tornar a nossa vida e a de quem está a nossa volta mais feliz e colorida. E assim elas viveram felizes para sempre. Amém.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Animando uns aos outros



No texto do capítulo 18 de 1Reis vemos o profeta Elias num dos momentos mais marcantes de seu ministério: estava diante de uma seca que durava mais de três anos, e tudo o que tinha nas mãos era uma promessa de que finalmente haveria chuva. O diferencial na história de vida de Elias é que o autor da promessa foi o próprio Deus, dessa forma o êxito seria evidente. Elias se agarra a essa promessa e diz ao rei Acabe: "...ouço o ruído de abundante chuva..." Quando Elias faz esta afirmação ao rei Acabe ainda não havia sequer uma nuvem nos céus, então como poderia ele ter ouvido o ruído da chuva? Entendemos que Elias pela fé, discerniu os acontecimentos espiritualmente: "é chegado o dia do cumprimento da promessa e creio que ela vai se cumprir; posso até saboreá-la, ou nesse caso ouvir o seu som". Mas Elias não estava sozinho, seu servo o acompanhava, e este precisava crer na mesma medida que Elias cria. Por isso o profeta ordena ao moço para olhar os céus em busca do sinal de nuvens que anunciassem a chuva. E a cada vez em que o moço subia para olhar para as bandas do mar na sua incredulidade, voltava com más noticias para o profeta que estava no alto do monte Carmelo, com os joelhos em terra, a cabeça entre os joelhos, prostrado em oração perante Deus, clamando pelo cumprimento da promessa. Elias não cedia diante das más notícias, antes incentivava o jovem: volte até lá mais uma vez! Esse jovem talvez tenha pensado em deixar Elias em sua "loucura", talvez até tenha tentado persuadir o profeta a desistir afinal não havia nenhum sinal de nuvens nos céus, mas a cada vez que chegava com a má notícia, Elias não se deixava abater dizendo: Volte lá mais uma vez... Essa caminhada, que o jovem fazia enquanto ia da presença do profeta até o local do monte onde podia contemplar melhor a imensidão dos céus, certamente foi muito angustiante, cheia de ansiedade, talvez a caminhada mais difícil de sua vida... Mas impulsionado pelas palavras do profeta não deixou de caminhar, nem vencer-se pelo desânimo, por isso foi a ele que Deus deu a graça de ver o início do grande milagre: a chuva chegando! Muitas vezes estamos em nossa caminhada de vida como esse moço, desanimados e prontos para desistir de tudo porque não vemos os "sinais" do cumprimento da promessa. Mas nessas palavras assim como encontramos consolo para nossa alma, que você também encontre para a sua. Que esse texto seja animador para você assim como foram as palavras do profeta para aquele jovem, e que desta forma nós possamos ter a graça de persistindo  ver a grande manifestação da glória de Deus sobre nossas vidas. Não olhe para o chão, contemple a presença do Pai e demonstre sua fé afirmando: já posso ouvir o ruído de abundante chuva, isto é, já posso sentir a graça miraculosa de Deus alcançando minha casa, minha vida, meu emprego, minha saúde e assim sigamos em frente animando uns aos outros pelo caminho.
Em Cristo,
Revda. Núria e Rev. Gilson Sales

A saga da dona aranha



Numa noite dessas cantando pra Juju dormir, buscando no fundo da memórias cantigas que pudessem acalentar o sono da minha pequena lembrei da música da dona aranha, sim aquela que todos aprendem no jardim de infância:
"A dona aranha subiu pela parede
veio a chuva forte e a derrubou
já passou a chuva e o sol já vai surgir
e a dona aranha continua a subir
ela é teimosa e desobediente
sobe sobe sobe 
nunca está contente..."
Pensei tanto na letra dessa cantiga e vi que essa pequena história de aranha não está muito longe da realidade humana, creio que seja mesmo uma metáfora para aprendermos a não ser como a dona aranha.
Pense comigo: a aranha decidiu que subiria na parede, este era seu alvo, mas muitos contratempos vieram, como a chuva, o sol quente e a aranha que era teimosa e desobediente não deu muita atenção aos "sinais" de que essa não era um empreitada boa pra ela. Antes, passou toda sua vida de aranha teimando, desobedecendo e por esse motivo vivia sendo derrubada sem chances de chegar ao seu objetivo. E o pior de tudo: nunca estava contente porque buscava o alvo errado.
Agora fala sério, quantas vezes nós agimos assim, enfiamos uma coisa na cabeça e pode desabar o mundo que nada tira essa ideia da nossa cabeça. Por vezes somos avisados de que essa não é a melhor escolha, opção, que dessa forma não vai dar certo, mas persistimos; sendo derrubados a todo momento. Vivendo na busca infeliz de um alvo irrealizável.
Mas somos seres pensantes, totalmente diferentes da aranha e por isso podemos optar por dar um rumo diferente a nossa vida, novos sonhos, novos alvos, abandonar empreitadas que de tão antigas já estão nos desgastando, podemos nesse dia permitir que o novo seja bem vindo em nossa vida: novos caminhos, novos horizontes, novas possibilidades, novas perspectivas de um futuro melhor pra você e pra mim. Que assim seja!
Núria Sales

domingo, 2 de setembro de 2012

Olhos nos olhos...

Ela sempre com aqueles olhos atentos como se estivesse a indagar o porquê do mundo.. eu quis desviar o olhar mas achei que lhe devia uma resposta, foi aí que arrisquei: " - Esse mundo é mesmo estranho filha...  sabe, tem muitas coisas que a gente não entende  e, às vezes, buscar explicações nem sempre é a melhor escolha... Mas tem muita coisa boa aqui também... a música é algo de que você vai gostar muito... o sorriso nas pessoas é algo inspirador que faz bem a nossa alma... e a chuva, ah você vai gostar de ouvir o barulho da chuva, ver toda aquela água caindo dos céus e regando a terra é mesmo maravilhoso, um verdadeiro poema divino...e as cores, você vai ficar radiante com a quantidade de cores existentes no mundo e..." De repente percebi seu olhar fixo numa pelúcia na parede, como se a pergunta que a intrigasse fosse : "- Porque você encheu meu quarto com essas girafas?!"...

terça-feira, 24 de julho de 2012

"Pelas mãos de uma criança"



O texto do profeta Isaías no capítulo 11,6 nos fala do reinado do Messias, um tempo de paz, um tempo de justiça, harmonia e plenitude. Em meio a diversas citações o profeta diz que nesse tempo "uma criança nos guiará". Creio que temos tido em nossos dias uma prévia do que será no momento do reinado pleno do Senhor Jesus. Observando as crianças da nossa comunidade podemos ver claramente o quanto elas se alegram em ir a Casa do Senhor; estão sempre com semblante feliz, ensaiam, participam de cantatas, teatros e tudo sem reclamar ou dizer que estão sobrecarregadas. Há uma alegria intensa nas crianças nos momentos de louvor, fico observando como elas cantam, pulam e se alegram na presença do Senhor, e mais ainda, querem participar: entregar os boletins, recolher os cálices após a Santa Ceia, dar testemunho... Jesus disse que temos que ser como crianças e é preciso uma intensa reflexão sobre isso. Muitas vezes nos achamos adultos sérios e compromissados com o evangelho, mas não encontramos tempo para viver a alegria do Senhor. Se um irmão peca contra nós, ou vice-versa, guardamos aquilo no coração que como gangrena vai nos consumindo por dentro, ao passo que quando duas crianças brigam isso dura apenas minutos e logo estão juntas correndo e vivendo a Plenitude que o Senhor nos oferece. Com frequência pensamos que somos nós quem temos que ensinar as crianças, mas temos mesmo é que aprender muito com elas. Recentemente uma garotinha da Congregação Betel queria louvar a Deus com um cântico, ensaiou em casa e veio pronta mas na hora "H" ficou com medo de cantar em frente aos adultos. Conversando com ela a respeito, fiquei surpresa e honrada ao ouvir "Se você segurar na minha mão eu canto." E lá fomos as duas pra frente para que ela louvasse ao Senhor cantando "minha vitória hoje tem sabor de mel". Ela só precisava sentir-se segura e fiquei muito feliz por Deus ter me usado para proporcionar segurança a essa garotinha; e alegre por saber que temos a cada dia uma nova oportunidade de aprender com as nossas crianças, porque elas ainda confiam em nós adultos. Que o Senhor nos abençoe e nos impulsione a correspondermos ao desafio de sermos guiados por uma criança. Fraternalmente, Reverenda Núria Lisboa Sales.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre ouvir e temer...




Deuteronômio 21.18-21
Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,
Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar;
E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.
No contexto do AT a maneira usada para exortar as pessoas a terem uma forma de vida correta, em que favorecesse uma boa convivência em comunidade e ao mesmo tempo demonstrasse fidelidade a Deus, era por intermédio das leis. Moisés dividiu o povo em tribos e sobres essas tribos constituiu capitães (Dt.1-15) que se encarregavam de fazer cumprir as leis para que não reinasse o mal no meio do povo. O texto de Deuteronômio fala sobre o que era preciso fazer /quais os procedimentos para se aplicar aos filhos desobedientes. Esses procedimentos consistiam em 04 fases: 1ª que a disciplina deveria ser algo constante na vida das famílias. a função dos pais era ensinar, instruir, disciplinar os filhos; isso no âmbito familiar que é lugar de paciência e dedicação. O texto nos mostra que agindo desta forma, que era o primeiro passo da lei, os pais não tiveram êxito, porque o filho não queria dar ouvidos a voz dos pais e continuava desobediente, rebelde, obstinado e indisciplinado; e mesmo com o castigo dos pais não lhe dava ouvidos. Esgotado todos os esforços dos pais, a 2ª fase era levá-lo aos anciãos da cidade, no portão da cidade. Os anciãos eram os responsáveis pelo cumprimento da lei no âmbito social e usavam como local de julgamento os portões de entrada das cidades. Era necessário que os pais fizessem isso, porque caso contrário a lei seria contra eles, que estariam permitindo e acobertando o mal (desobediência, rebeldia e obstinação) no meio do povo. Na terceira fase, diante dos anciãos era necessário que os pais apresentassem todas as queixas contra o filho, bem como suas tentativas de corrigi-lo. A 4ª fase era quando acontecia o julgamento. a partir de tudo que lhe é declarado, os anciãos decretam a sentença: morte por apedrejamento! Isso porque habitavam uma região onde há muitas pedras, então essa era uma maneira de extirpar o mais rápido possível o mal do meio do povo. Desta forma, ao exemplo do que aconteceu ao rapaz toda Israel iria "ouvir e temer" e a lembrança do sangue derramado todos recomeçariam suas vidas apartados do mal. Porém, se procurarmos na Bíblia algum momento em que aconteceu um fato como esse certamente não encontraremos. O que encontraremos, no NT, é O Filho, entregando sua vida, derramando seu sangue numa cruz para redimir toda a humanidade dos seus pecados e aproximar-nos de Deus. A expiação pelos nossos pecados não vem mais de um sangue que é derramado cada vez que se comete um mal e sim de um único sacrifício, pleno, perfeito e absoluto que Jesus Cristo fez por nós, cravando na cruz a cédula com a sentença que nos era contrária (Cl. 2.14). Que o nosso Deus nos dê a graça de compreendermos a amplitude do sacrifício de Jesus por nós; e que de nossa parte aprendendo a valorizar esse sacrifício prossigamos na caminhada cristã rumo a vontade de Deus. Amém.
(baseado na aula de AT ministrada pelo prof. Dr. Tércio M. Siqueira).

terça-feira, 20 de março de 2012

Falta uma coisa...


Na leitura dos evangelhos sempre encontramos Jesus em movimento, o ministério de Jesus é regido pela dinâmica do Espírito Santo. A proposta de Jesus nos revela essa dinâmica em Mt.28.19 "Indo por todo o mundo..." E aqui mesmo no capítulo 10 de Marcos há uma grande movimentação de Jesus. Ele se punha a caminho porque era exatamente aí que se encontrava com aqueles que precisavam dEle: no caminho! No meio do povo, entre as pessoas, conhecendo de perto a necessidade de cada um. Assim, a primeira lição que aprendemos com este texto é a respeito da dinâmica do ministério de Jesus; e nós como herdeiros dEle temos também que resgatar como igreja essa mesma vocação. Precisamos ser uma igreja que vai ao encontro das pessoas, uma igreja que se põe no caminho, no meio do povo abrindo-se para conhecer as necessidades da comunidade na qual está inserida. Isto porque Jesus não nos chamou para brincar de estátua, mas para a dinâmica de vida promovida pelo Espírito Santo, que sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem para onde vai. O Senhor nos convoca para juntamente com Ele nos colocarmos no caminho. O homem do text em questão (Marcos 10.17-22) só pode encontrar-se com Jesus porque Ele estava no caminho. Outro ponto a ser analisado é que no caminho Jesus se revela. No texto vemos um homem ansioso por respostas que ninguém, até aquele instante, tinha conseguido responder satisfatoriamente. Ouvindo falar de Jesus, seguiu-o de perto, presenciou seus milagres, simpatizou com sua doutrina e no momento oportuno achegou-se a presença de Jesus. E a forma como este homem agiu nos revela que sabia muito bem com quem estava falando e Jesus neste momento se revela àquele homem. Se revela como o único que pode atender aos anseios e inquietações do coração dele. E agora sim, juntos no caminho, com Jesus o conhecendo bem, decide então revelar ao homem o que precisava/faltava mudar em sua vida. Falta uma coisa: colocar Deus em primeiro lugar na sua vida. Jesus usa aqui um artifício de retórica e ao listar os mandamentos omite o primeiro, porquê? Penso eu que seja para que o próprio homem chegasse a conclusão de que este mandamento "Amar o Senhor teu Deus acima de todas as coisas", não estava presente na vida dele. Isso nos leva a refletir o quê nós temos deixado ocupar o primeiro lugar nas nossas vidas? Jesus se põe no caminho, vai ao seu encontro, responde a inquietação do teu coração e te corrige: "Ainda te falta uma coisa!" como se dissesse: "Eu ando ao seu lado, conheço as tuas obras, vejo a sinceridade que você demonstra em querer me obedecer, mas te falta uma coisa... Há algo que precisa mudar, há algo que está te atrapalhando na caminhada comigo, nossa comunhão com isso fica prejudicada...Deus sabe o que precisamos, mas nos diz também aquilo que precisamos mudar. ele não força ninguém, antes, nos olha com amor e nos propõe: "Vem, segue-me". A resposta a ele somente você pode dar...que inspirados pelas palavras do texto possamos permitir que Deus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas para honra e glória do nome Dele. Amém.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Maturidade...


A idade adulta é marcada principalmente pela capacidade intelectual de compreender e assimilar melhor cada situação. Pela capacidade de articular as palavras de tal maneira que com diálogo se consiga resolver os dilemas do convívio social. Pela capacidade de entender que a vida é desse jeito e nem sempre podemos dar a ela o formato que sonhamos; é ter os pés no chão e o coração na esperança. É aceitar que cada pessoa é diferente da outra (e isso é o mais bonito de tudo) e por isso há que se respeitar os pensamentos diferentes. Ser adulto é compreender que é possível conviver com quem é diferente ou pensa diferente de nós; é saber que (ainda bem) não somos os donos da verdade, e por isso, também valorizar a experiência do outro. Ser adulto é saber que podemos mudar de opinião sem afetar nossos valores, caráter e personalidade. É saber que podemos vibrar por mais um dia de vida e voltar pra casa sabendo que a família é o nosso bem mais precioso. É compreender que não vale a pena brigar por causa de "coisas"... na verdade é saber que não vale a pena brigar; é trocar "isso" pela capacidade de reconciliar-se (consigo principalmente)...a idade adulta é marcada pela Maturidade. E ainda não aprendemos...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desespero...




As vezes em sua função de rodar o mundo acaba indo depressa demais,
nos fazendo ficar tontos,
e porque estamos tontos sentimos nos faltar o chão,
e porque já não temos chão nossos passos são vacilantes
por vacilarem nossos passos todo nosso equilibrio é afetado
e assim já não podemos mais dar conta de quem somos (ou devemos ser)
nos tornamos completos desconhecidos a nós mesmos
as mãos já não tocam mais,
os olhos não querem mais fixar no alvo,
os pensamentos vão e vem,
só nos resta o grito.
E porque a situação é tão dramática
não sei de onde, mas tiramos forças
para gritar tão intensamente
de maneira que alcance o coração de Deus.
E então Ele vem em nosso socorro,
Ele sempre vem,
fazendo do caos um jardim,
e dizendo a tudo que nos atormenta: Silêncio!
e tudo toma seu lugar novamente
e só assim caminhamos em paz...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Angélica...


Dizem que uma bala é perdida quando ela não atingiu o fim a que foi designada... aquela bala se "perdeu" por acidente, mas havia um nome, um destino pra ela. Interessante que bala e destino poderiam nesse caso até serem sinônimos, porque um tiro de bala, perdida ou não, muda drasticamente a história de vida de uma pessoa, seja adulto ou criança. A bala com endereço pode até ser adiada, mas não é esquecida, a demora na entrega até aguça mais o instinto do atirador. Balas vão e vem, perdidas e achadas e nós ficamos ali, passivamente assistindo o bang bang... Apáticos, como se nada disso tivesse a ver com nossa vida... Precisamos acordar dessa pasmeceira em que nos metemos e passarmos a ser agentes de mudança na vida e na sociedade. Não podemos entrar no meio do tiroteio mas podemos criar, apoiar e incentivar a criação de espaços em que as crianças e adolescentes tenham oportunidade de aprendizagem, de usar sua criatividade e inteligencia para o bem comum... Estamos em falta queridos, estamos em grave falta!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vida virtual...

Creio que isso deva ser pra afastar um pouco os fantasma da solidão... a idéia de que muitas pessoas se importam com o que dizemos e falamos, e ainda curtem rs é tentadora... ter a sensação de que estamos as voltas com "um milhão de amigos" nos deixa radiantes... compartilha-se tudo e ao mesmo tempo deseja-se "privacidade", em situações como esta é preciso sabe o momento de colocar um ponto, ou, um www.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Agentes de Deus... (Alessandra Ayrão)

João 5.1-13

Exórdio: (http://ensaiandoescritos.blogspot.com).

Narratio: esse texto nos fala da cura de um paralítico e nos revela um pouco daquela realidade social em que Jesus vivia. O lugar da narrativa era um povoado com um número imenso de pessoas enfermas: cegos, surdos, aleijados, coxos etc. A população na época de Jesus vivia abaixo da linha da pobreza, sem o necessário muitas vezes sequer para a alimentação básica, isso gerava desnutrição, falhas no sistema imunológico o que as tornava suscetível a um número variado de enfermidades. Pessoas doentes, pobres, sem esperança, vivendo sob o jugo do império romano, um verdadeiro caos. Será que “algumas” meras semelhanças são meras coincidências? Ainda vivemos um uma sociedade desigual, injusta, exclusivista e muita falta de compaixão. Uma sociedade individualista e que tem coisificado o ser humano. Com isso percebemos que ainda temos muito que fazer, seguindo o exemplo de Jesus. E com agentes do Reino de Deus nós precisamos:

Argumentação: 1- ser a misericórdia de Deus para alguém (v.7) – O nome Betesda pode ser traduzido por “casa de misericórdia”, mas naquela atual realidade ela estava mais para casa de excluídos e marginalizados abandonados do que casa de misericórdia porque o texto nos relatas que existia muitas pessoas esperando para serem curadas, e por serem doentes eram excluídas, e o paralítico com o qual Jesus conversa diz que não tinha ninguém que o ajudasse. Muitas pessoas ao lerem esse texto acreditam que Jesus moveu a água para esse homem ser curado, mas na verdade nós podemos perceber a misericórdia de Deus através da vida de Jesus, o paralítico precisava simplesmente de alguém o colocasse no tanque. Quando Jesus o pergunta se queria ser curado ele disse que não tenha ninguém que o ajudasse, revelando que eles para ele ser curado só precisava de alguém que o ajudasse a entrar no tanque, não precisava de algo mirabolante. Em seguida o texto simplesmente diz que Jesus o mandou que se levantasse e carregasse o seu leito. Assim então, podemos perceber que Jesus é esse alguém que ele tanto precisa. Foi esse alguém que se importou com ele, que revelou compaixão e misericórdia para com ele, que fez de Betesda a verdadeira “casa de misericórdia”. Que nós como agentes do Reino possamos ser casa de misericórdia para aqueles que precisam, para as pessoas que sofrem a nossa volta e que simplesmente esperam a ação de Deus através de um abraço, de um estar com elas, de se fazer alguém para quem não tem ninguém.

2- romper com o circulo vicioso de violência (10-11) também diz que Jesus mandou o ex-paralítico carregar o seu leito, o que era proibido fazer no sábado. Com isso podemos perceber que Jesus já vai combatendo a lei que tem servido de punição, de violência com aqueles que mais precisam. Ser o agente do Reino de Deus é romper com o vício de violência. Nessa semana ao estudar um famoso teólogo (Greschake) ele fala sobre o circuito da violência e diz que para que o Cristão cumpra com a o anuncio do Reino ele precisa romper com o circuito da violência, é estar disposto a ficar no “prejuízo”, existe um forte desejo de vingança de tal forma que um justifica a sua violência, agressão devido ao que o outro fez. Por isso para viver como agentes do Reino precisamos romper com esse circuito, aceitar ficar no prejuízo para dar fim a esse circulo do mal. O texto nos revela uma das ações de Jesus que demonstra essa ação, de tal forma que depois ele passa a ser perseguido por essas questões.

3- Saber que nem sempre poderemos curar a todos, mas também não podemos ficar sem ação (13) – O texto fala que o homem curado não sabia quem era Jesus que logo se ausentou da li porque tinha muita gente. Isso revela que Jesus não curou todas as pessoas daquele lugar, mas curou aquele homem. Nós, enquanto seres humanos limitados, não podemos “curar” todas as pessoas (assim como Jesus), mas também não podemos ficar sem iniciativa, sem ação diante do sofrimento humano. Mas é importante ressaltar que Deus não faz acepção de pessoas, nem escolhe aqueles que vai curar ou não. Eu não consigo explicar logicamente porque um é curado e outro não, apenas posso dizer que Deus é Mistério e aquilo que nos tem sido revelado devemos viver, aquilo que tem se colocado diante de nós para fazer devemos fazê-lo. Mistério é feito que não tem explicação racional.

Quando dizemos que não podemos curar a todos, estamos dizendo que não podemos ser super homens e super heróis, mas devemos ser “HUMANO” para lutar contra as forças do mal que assolam a nossa vida e do nosso próximo. É ser “HUMANO” com Jesus foi, e não ficou indiferente ao sofrimento do povo, fez o que estava nas suas possibilidade e na orientação de Deus.

Peroração: como já foi dito, vivemos em uma sociedade que ainda assola o ser humano, mas nós como agentes do Reino de Deus devemos ser casa de misericórdia para a localidade em que estamos, para as pessoas que tivemos oportunidade, também devemos romper com o circuito de violência, de injustiça, de tudo aquilo que mortifica ao invés de promover vida e por último saber que não podemos curar todos as pessoas, mas que também não podemos ficar indiferente, sem ação.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eu te vi...



A conversão de Natanael é algo muito interessante. Ele certamente era uma pessoa muito querida entre o povo, isto porque quando Filipe encontra Jesus, sua primeira reação foi ir ao encontro de Natanael e anunciar a Boa Notícia: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei". Talvez um silêncio tenha vindo da parte de Natanael o que levou Filipe a dar mais detalhes:" ele é Jesus de Nazaré, filho de José." Nesse instante Filipe é interrompido pela pergunta de Natanael: "Por acaso pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" "Vem e vê!" é a resposta de Filipe. Juntos foram então até Jesus, e quando viu ao longe Natanael, Jesus diz: "Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo." Natanael espantado questiona: "De onde me conheces?" e Jesus explica: "Antes de Filipe te chamar, eu te vi quando estavas debaixo da figueira." É muito interessante a resposta de Jesus, e muito cheia de mistérios ao mesmo tempo, Jesus fala algo que fazia todo sentido para Natanael...Nesta fala Jesus demonstra que realmente o conhece e então ouve a declaração de fé de Natanael: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!" Muitos estudiosos afirmam que "estar debaixo da figueira" era algo significativo na vida de um israelita, era ali que ele meditava na Lei e fazia suas preces individuais a Deus. Apesar de compreender esta explicação ela não me satisfaz, porque algo comum revelado por Jesus traria tanto impacto na vida de Natanael, lançando por terra todas as suas dúvidas quanto a Jesus? Certamente há algo mais nessa história, algo que tocava fundo no coração de Natanael, uma parte de sua história que nunca havia sido compartilhado com ninguém e que agora, sem que ninguém contasse, era revelado miraculosamente por Jesus. Não é meu intento aqui ficar com especulações, e sim trazer ao nosso entendimento que Jesus conhece o nosso íntimo; nossos momentos de tristeza, de dificuldades, nossas lágrimas, nossas fragilidades...Ele sabe tudo a nosso respeito e mesmo assim olha pra nós e diz: "Eis aí um verdadeiro...eu te vi"(paráfrase do texto de João 1.45-48). O fato de sermos vistos pelo Senhor, deve ser motivo de imenso prazer e alegria a todos nós, porque Ele é aquele que vê e vem ao nosso encontro dizendo "Coisas maiores do que estas verás (vs.50b)". Em outras palavras: "Eu tenho te visto, sei das suas dificuldades/limitações, mas confio em você e tenho grandes planos para tua vida. (paráfrase)"

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu não tenho ninguém...


João 5:2-7 - Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões.
Nestes, jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse]. Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim...

Várias já foram as reflexões feitas sobre este texto e a maravilhosa cura que Jesus realiza na vida daquele paralítico que padecia 38 anos à beira daquele Tanque. O lugar (Betesda) que traduzido significa "Casa de Misericórdia" era povoado por um número imenso de pessoas enfermas: cegos, surdos, aleijados, coxos etc. A população na época de Jesus vivia abaixo da linha da pobreza, sem o necessário muitas vezes sequer para a alimentação básica, isso gerava desnutrição, falhas no sistema imunológico o que as tornava suscetível a um número variado de enfermidades. Pessoas doentes, pobres, sem esperança, vivendo sob o jugo do império romano...um verdadeiro caos. Aos poucos, situações como estas podem levar um povo a viver sob o lema "salve-se quem puder". Acredito que seja isso que tenha acontecido com aquele homem que jazia aleijado há 38 anos a espera de uma oportunidade de cura. Talvez no início, quando se identificou sua deficiência, muitos tenham se compadecido dele, tanto que o conduziram até aquele lugar...mas os dias foram passando e foi-se percebendo o quanto era concorrido chegar até o tanque, tinha muita gente e talvez levaria muito tempo para chegar a vez daquele homem. Talvez algum dia ele tenha tido um acompanhante, mas este talvez também tenha desistido. Bem, poderíamos ficar aqui pressupondo mil razões, mas o que se sabe com certeza é o que o paralítico diz a Jesus: - "Senhor eu não tenho ninguém..." Ninguém que me ajude, ninguém que me estenda a mão, ninguém que me incentive, ninguém que me dê um empurrãozinho, ninguém que ainda acredite que eu possa alcançar o tanque e ser curado...eu não tenho ninguém! Penso que essas palavras feriram os ouvidos do Mestre, a triste realidade vivida por aquele homem doente, amargurado, oprimido, impotente e abandonado. O homem a beira do tanque sabia que precisava de ajuda, ele precisava de alguém, mas onde estavam as pessoas? Tinham ido cuidar da sua vida, penso eu. A sociedade em que vivemos não é nada diferente do quadro apresentado aqui. Pobreza, descaso, falta de estrutura e apoio a população, impostos, falta de esperança e abandono... Além das diversas calamidades que atingem a todos (violência, insegurança, uso e abuso de drogas, epidemias e desastres naturais) também somos desfiados diariamente a reinventar um modo de viver que se encaixe a vida moderna que vive sob a insígnia do "Cada um por si e Deus por todos"... Mesmo em meio ao avanço extremo da Tecnologia, nós vivemos isolados, como ilhas, como se cada um fosse suficiente a si mesmo. E como consequência disso temos visto o aumento do número de pessoas que vivem transtornos emocionais, devido a falta de alguém. Nós estamos como aquele paralítico ouvindo o ecoar da sentença: "Eu não tenho ninguém"... Talvez você esteja se identificando com esse episódio e pensando: realmente não tenho ninguém em que eu possa confiar, não tenho ninguém pra compartilhar as alegrias e tristezas da vida, ou como ouvi de uma pessoa certa vez "não tenho ninguém pra me fazer um chá", ninguém pra me ouvir, ninguém pra conversar, ninguém que me dê apoio ou diga que vai ficar tudo bem. Se você se identifica com esse discurso então está na hora de se levantar e dizer "chega"! O Senhor tem visto sua vida, suas necessidades e Ele não te abandona. Da mesma forma que Jesus disse ao paralítico naquele dia, hoje também fala a você: "Levanta, anda" retome sua vida, você conta sempre com o amor e as misericórdias do Pai, mude essa situação, nós precisamos um dos outros. Deus nos fez como seres relacionais, ou seja, ninguém é feliz vivendo isolado numa ilha. Creia nas palavras de Jesus, decida se levantar e fazer a diferença. Nós como cristãos temos que ser conhecidos pelo amor de uns pelos outros, viva na dinâmica do amor de Cristo. Comece pela sua família, se importando com o que acontece com cada um e vá ampliando esse circulo. Jesus é a tua companhia, mas Ele deseja que você também seja a companhia de alguém. Jesus realizou o milagre na vida daquele homem, mas o milagre podia já ter acontecido há muito tempo se alguém se dispusesse a ajudá-lo. Seja você esse alguém hoje, se coloque como instrumento nas mão de Deus para que o milagre aconteça também na vida de outras pessoas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. João 8:8


O que Jesus escrevia na terra, no momento em que apresentam diante dele uma mulher "pega" em flagrante adultério? Muitas teorias são formuladas, mas ninguém sabe o que foi. Ao ouvir essa história pela primeira vez, uma mulher que vivia da prostituição intuiu: "Eu sei porque Jesus se inclinava no chão para escrever...na verdade ele fez isso para esconder suas lágrimas, porque estava diante dele o povo de Deus, aqueles que deveriam amar, perdoar e ser sinal de Deus no mundo, fazendo exatamente o contrário do que Deus esperava deles." É uma interpretação interessante, que nos move a pensar: onde está a igreja do Senhor? Em que ela tem se ocupado? Tem-se tomado horas criando ferramentas para punir e apontar os erros e nenhum tempo para socorrer e amar as pessoas...será que não estamos caindo no mesmo erro dos fariseus? Deus tenha misericórdia de nós!

domingo, 23 de outubro de 2011

Óbito...


Finalmente chegou o dia! Abriu a geladeira pegou leite...arrumava a mesa enquanto a água do café fervia; o telefone toca, é a amiga confirmando a festa daquela noite; logo o cheiro de café recém-coado invade a casa, e ela fica ali, sorvendo tranquilamente seu café com leite... levanta-se vai até a porta da frente pegar o jornal, passa os olhos nas notícias pensando: "nossa, mais acidentes, mais roubos e mortes..." Em seguida pega seu cachorro é dia de levá-lo à tosa...vai ao supermercado comprar "o que está faltando" e acaba decidindo almoçar "por ali mesmo". Na volta, passa na manicure...De novo em casa liga para o neto, hoje ele completava 12 anos...Vê um filme na TV "e chamam isso de comédia?!" adormece no sofá e só acorda com o som do início do programa de calouros que invade as nossas tardes de sábado... toma banho demoradamente "como isso é revigorante!" O melhor vestido era o vermelho, transmitia toda a alegria que sentia "por dentro". Os sapatos novos finalmente seriam usados... maquiagem bem básica...cabelos escovados...ouve uma buzina, sua carona chegou. "Que festa animada, preciso sair mais"... "Esse som alto está me dando dor de cabeça..." "Vou ao banheiro..." "Não estou me sentindo bem, acho que foram aqueles salgadinhos..." "Que parar que nada, ainda quero dançar muito essa noite."...a outra em meio aos soluços e o choro desconsolado tentava explicar:"reclamou de dor de cabeça e desmaiou de repente"... "melhor avisar a família..." "Sim, óbito...infelizmente...!"

Vivo só de aparências...


"Quem olha pra mim, pensa que sou forte e decidida, mas descobri que vivo só de aparências..." Ouvi isso recentemente...ouvi isso e muitas outras coisas...boas e ruins, sábias e tolas... Mas é exatamente disso que somos feitos: "de água e medo" como diz Luara Quaresma. Felizes são aqueles que conseguem fazer uma reflexão saudável sobre sua própria vida (eita pleonasmo vicioso rs)... Viver de aparências não é legal, todo mundo sabe disso. Mas porque não é legal? Pense! Viver de aparências é basicamente esconder quem você realmente é para satisfazer os anseios dos outros. Uma vida levada dessa forma é totalmente despropositada...então dê uma segunda chance a você mesmo, abrace "seus" sonhos e siga em frente.

Gente quebra...


E finalmente recebi o diagnóstico médico: "- Sim, há uma fratura, vamos pôr uma tala seu pé está quebrado, talvez precise até engessar!" Aquilo me soou tão estranho que a reação imediata foi dizer: "- Nossa! Gente não deveria quebrar né?" - seguiu-se a cara de espanto do médico e a pergunta "- O que?..." E como aquilo fazia muito sentido pra mim, tornei a dizer: "Gente, ser humano, não deveria quebrar...o que quebra é mesa, vidro... mas um ser humano quebrado?" Fiquei com pensando sobre isso por muito tempo (sempre temos muito tempo nos hospitais rs). Gente quebra também, por isso é preciso muito cuidado. Há essas quebraduras que, por mais demorado que seja, conserta-se engessando por um tempo; essas nos faz perceber melhor a nossa finitude e limitações. Mas há quebraduras que o gesso não resolve: corações partidos, decepções, frustrações, perdas, sensações que aos poucos nos dão consciência de nossa humanidade, falibilidade e fragilidade, porque quando somos tomados por isso tudo, nos sentimos "quebrados", despedaçados por dentro. Às vezes é tanto que chega a doer fisicamente... Gente não só quebra como também faz quebrar, através de palavras e atitudes vamos quebrando dentro do outro os sonhos, sua alegria, sua confiança, sua esperança. Nossa humanidade nos leva a condições incríveis de apreciar, mudar e intervir em muita coisa para o bem e para o mal; daí a necessidade de olharmos uns para os outros como olhamos a nós mesmos, se algo dói em mim, também dói no outro... Por trás dessa couraça aparente de força e confiança em nós, há uma outra um pouco menos visível estampada a inscrição: CUIDADO FRÁGIL.