Escrita ativa...

Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Angélica...


Dizem que uma bala é perdida quando ela não atingiu o fim a que foi designada... aquela bala se "perdeu" por acidente, mas havia um nome, um destino pra ela. Interessante que bala e destino poderiam nesse caso até serem sinônimos, porque um tiro de bala, perdida ou não, muda drasticamente a história de vida de uma pessoa, seja adulto ou criança. A bala com endereço pode até ser adiada, mas não é esquecida, a demora na entrega até aguça mais o instinto do atirador. Balas vão e vem, perdidas e achadas e nós ficamos ali, passivamente assistindo o bang bang... Apáticos, como se nada disso tivesse a ver com nossa vida... Precisamos acordar dessa pasmeceira em que nos metemos e passarmos a ser agentes de mudança na vida e na sociedade. Não podemos entrar no meio do tiroteio mas podemos criar, apoiar e incentivar a criação de espaços em que as crianças e adolescentes tenham oportunidade de aprendizagem, de usar sua criatividade e inteligencia para o bem comum... Estamos em falta queridos, estamos em grave falta!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vida virtual...

Creio que isso deva ser pra afastar um pouco os fantasma da solidão... a idéia de que muitas pessoas se importam com o que dizemos e falamos, e ainda curtem rs é tentadora... ter a sensação de que estamos as voltas com "um milhão de amigos" nos deixa radiantes... compartilha-se tudo e ao mesmo tempo deseja-se "privacidade", em situações como esta é preciso sabe o momento de colocar um ponto, ou, um www.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Agentes de Deus... (Alessandra Ayrão)

João 5.1-13

Exórdio: (http://ensaiandoescritos.blogspot.com).

Narratio: esse texto nos fala da cura de um paralítico e nos revela um pouco daquela realidade social em que Jesus vivia. O lugar da narrativa era um povoado com um número imenso de pessoas enfermas: cegos, surdos, aleijados, coxos etc. A população na época de Jesus vivia abaixo da linha da pobreza, sem o necessário muitas vezes sequer para a alimentação básica, isso gerava desnutrição, falhas no sistema imunológico o que as tornava suscetível a um número variado de enfermidades. Pessoas doentes, pobres, sem esperança, vivendo sob o jugo do império romano, um verdadeiro caos. Será que “algumas” meras semelhanças são meras coincidências? Ainda vivemos um uma sociedade desigual, injusta, exclusivista e muita falta de compaixão. Uma sociedade individualista e que tem coisificado o ser humano. Com isso percebemos que ainda temos muito que fazer, seguindo o exemplo de Jesus. E com agentes do Reino de Deus nós precisamos:

Argumentação: 1- ser a misericórdia de Deus para alguém (v.7) – O nome Betesda pode ser traduzido por “casa de misericórdia”, mas naquela atual realidade ela estava mais para casa de excluídos e marginalizados abandonados do que casa de misericórdia porque o texto nos relatas que existia muitas pessoas esperando para serem curadas, e por serem doentes eram excluídas, e o paralítico com o qual Jesus conversa diz que não tinha ninguém que o ajudasse. Muitas pessoas ao lerem esse texto acreditam que Jesus moveu a água para esse homem ser curado, mas na verdade nós podemos perceber a misericórdia de Deus através da vida de Jesus, o paralítico precisava simplesmente de alguém o colocasse no tanque. Quando Jesus o pergunta se queria ser curado ele disse que não tenha ninguém que o ajudasse, revelando que eles para ele ser curado só precisava de alguém que o ajudasse a entrar no tanque, não precisava de algo mirabolante. Em seguida o texto simplesmente diz que Jesus o mandou que se levantasse e carregasse o seu leito. Assim então, podemos perceber que Jesus é esse alguém que ele tanto precisa. Foi esse alguém que se importou com ele, que revelou compaixão e misericórdia para com ele, que fez de Betesda a verdadeira “casa de misericórdia”. Que nós como agentes do Reino possamos ser casa de misericórdia para aqueles que precisam, para as pessoas que sofrem a nossa volta e que simplesmente esperam a ação de Deus através de um abraço, de um estar com elas, de se fazer alguém para quem não tem ninguém.

2- romper com o circulo vicioso de violência (10-11) também diz que Jesus mandou o ex-paralítico carregar o seu leito, o que era proibido fazer no sábado. Com isso podemos perceber que Jesus já vai combatendo a lei que tem servido de punição, de violência com aqueles que mais precisam. Ser o agente do Reino de Deus é romper com o vício de violência. Nessa semana ao estudar um famoso teólogo (Greschake) ele fala sobre o circuito da violência e diz que para que o Cristão cumpra com a o anuncio do Reino ele precisa romper com o circuito da violência, é estar disposto a ficar no “prejuízo”, existe um forte desejo de vingança de tal forma que um justifica a sua violência, agressão devido ao que o outro fez. Por isso para viver como agentes do Reino precisamos romper com esse circuito, aceitar ficar no prejuízo para dar fim a esse circulo do mal. O texto nos revela uma das ações de Jesus que demonstra essa ação, de tal forma que depois ele passa a ser perseguido por essas questões.

3- Saber que nem sempre poderemos curar a todos, mas também não podemos ficar sem ação (13) – O texto fala que o homem curado não sabia quem era Jesus que logo se ausentou da li porque tinha muita gente. Isso revela que Jesus não curou todas as pessoas daquele lugar, mas curou aquele homem. Nós, enquanto seres humanos limitados, não podemos “curar” todas as pessoas (assim como Jesus), mas também não podemos ficar sem iniciativa, sem ação diante do sofrimento humano. Mas é importante ressaltar que Deus não faz acepção de pessoas, nem escolhe aqueles que vai curar ou não. Eu não consigo explicar logicamente porque um é curado e outro não, apenas posso dizer que Deus é Mistério e aquilo que nos tem sido revelado devemos viver, aquilo que tem se colocado diante de nós para fazer devemos fazê-lo. Mistério é feito que não tem explicação racional.

Quando dizemos que não podemos curar a todos, estamos dizendo que não podemos ser super homens e super heróis, mas devemos ser “HUMANO” para lutar contra as forças do mal que assolam a nossa vida e do nosso próximo. É ser “HUMANO” com Jesus foi, e não ficou indiferente ao sofrimento do povo, fez o que estava nas suas possibilidade e na orientação de Deus.

Peroração: como já foi dito, vivemos em uma sociedade que ainda assola o ser humano, mas nós como agentes do Reino de Deus devemos ser casa de misericórdia para a localidade em que estamos, para as pessoas que tivemos oportunidade, também devemos romper com o circuito de violência, de injustiça, de tudo aquilo que mortifica ao invés de promover vida e por último saber que não podemos curar todos as pessoas, mas que também não podemos ficar indiferente, sem ação.

domingo, 13 de novembro de 2011

Eu te vi...



A conversão de Natanael é algo muito interessante. Ele certamente era uma pessoa muito querida entre o povo, isto porque quando Filipe encontra Jesus, sua primeira reação foi ir ao encontro de Natanael e anunciar a Boa Notícia: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei". Talvez um silêncio tenha vindo da parte de Natanael o que levou Filipe a dar mais detalhes:" ele é Jesus de Nazaré, filho de José." Nesse instante Filipe é interrompido pela pergunta de Natanael: "Por acaso pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" "Vem e vê!" é a resposta de Filipe. Juntos foram então até Jesus, e quando viu ao longe Natanael, Jesus diz: "Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo." Natanael espantado questiona: "De onde me conheces?" e Jesus explica: "Antes de Filipe te chamar, eu te vi quando estavas debaixo da figueira." É muito interessante a resposta de Jesus, e muito cheia de mistérios ao mesmo tempo, Jesus fala algo que fazia todo sentido para Natanael...Nesta fala Jesus demonstra que realmente o conhece e então ouve a declaração de fé de Natanael: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!" Muitos estudiosos afirmam que "estar debaixo da figueira" era algo significativo na vida de um israelita, era ali que ele meditava na Lei e fazia suas preces individuais a Deus. Apesar de compreender esta explicação ela não me satisfaz, porque algo comum revelado por Jesus traria tanto impacto na vida de Natanael, lançando por terra todas as suas dúvidas quanto a Jesus? Certamente há algo mais nessa história, algo que tocava fundo no coração de Natanael, uma parte de sua história que nunca havia sido compartilhado com ninguém e que agora, sem que ninguém contasse, era revelado miraculosamente por Jesus. Não é meu intento aqui ficar com especulações, e sim trazer ao nosso entendimento que Jesus conhece o nosso íntimo; nossos momentos de tristeza, de dificuldades, nossas lágrimas, nossas fragilidades...Ele sabe tudo a nosso respeito e mesmo assim olha pra nós e diz: "Eis aí um verdadeiro...eu te vi"(paráfrase do texto de João 1.45-48). O fato de sermos vistos pelo Senhor, deve ser motivo de imenso prazer e alegria a todos nós, porque Ele é aquele que vê e vem ao nosso encontro dizendo "Coisas maiores do que estas verás (vs.50b)". Em outras palavras: "Eu tenho te visto, sei das suas dificuldades/limitações, mas confio em você e tenho grandes planos para tua vida. (paráfrase)"

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu não tenho ninguém...


João 5:2-7 - Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões.
Nestes, jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse]. Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim...

Várias já foram as reflexões feitas sobre este texto e a maravilhosa cura que Jesus realiza na vida daquele paralítico que padecia 38 anos à beira daquele Tanque. O lugar (Betesda) que traduzido significa "Casa de Misericórdia" era povoado por um número imenso de pessoas enfermas: cegos, surdos, aleijados, coxos etc. A população na época de Jesus vivia abaixo da linha da pobreza, sem o necessário muitas vezes sequer para a alimentação básica, isso gerava desnutrição, falhas no sistema imunológico o que as tornava suscetível a um número variado de enfermidades. Pessoas doentes, pobres, sem esperança, vivendo sob o jugo do império romano...um verdadeiro caos. Aos poucos, situações como estas podem levar um povo a viver sob o lema "salve-se quem puder". Acredito que seja isso que tenha acontecido com aquele homem que jazia aleijado há 38 anos a espera de uma oportunidade de cura. Talvez no início, quando se identificou sua deficiência, muitos tenham se compadecido dele, tanto que o conduziram até aquele lugar...mas os dias foram passando e foi-se percebendo o quanto era concorrido chegar até o tanque, tinha muita gente e talvez levaria muito tempo para chegar a vez daquele homem. Talvez algum dia ele tenha tido um acompanhante, mas este talvez também tenha desistido. Bem, poderíamos ficar aqui pressupondo mil razões, mas o que se sabe com certeza é o que o paralítico diz a Jesus: - "Senhor eu não tenho ninguém..." Ninguém que me ajude, ninguém que me estenda a mão, ninguém que me incentive, ninguém que me dê um empurrãozinho, ninguém que ainda acredite que eu possa alcançar o tanque e ser curado...eu não tenho ninguém! Penso que essas palavras feriram os ouvidos do Mestre, a triste realidade vivida por aquele homem doente, amargurado, oprimido, impotente e abandonado. O homem a beira do tanque sabia que precisava de ajuda, ele precisava de alguém, mas onde estavam as pessoas? Tinham ido cuidar da sua vida, penso eu. A sociedade em que vivemos não é nada diferente do quadro apresentado aqui. Pobreza, descaso, falta de estrutura e apoio a população, impostos, falta de esperança e abandono... Além das diversas calamidades que atingem a todos (violência, insegurança, uso e abuso de drogas, epidemias e desastres naturais) também somos desfiados diariamente a reinventar um modo de viver que se encaixe a vida moderna que vive sob a insígnia do "Cada um por si e Deus por todos"... Mesmo em meio ao avanço extremo da Tecnologia, nós vivemos isolados, como ilhas, como se cada um fosse suficiente a si mesmo. E como consequência disso temos visto o aumento do número de pessoas que vivem transtornos emocionais, devido a falta de alguém. Nós estamos como aquele paralítico ouvindo o ecoar da sentença: "Eu não tenho ninguém"... Talvez você esteja se identificando com esse episódio e pensando: realmente não tenho ninguém em que eu possa confiar, não tenho ninguém pra compartilhar as alegrias e tristezas da vida, ou como ouvi de uma pessoa certa vez "não tenho ninguém pra me fazer um chá", ninguém pra me ouvir, ninguém pra conversar, ninguém que me dê apoio ou diga que vai ficar tudo bem. Se você se identifica com esse discurso então está na hora de se levantar e dizer "chega"! O Senhor tem visto sua vida, suas necessidades e Ele não te abandona. Da mesma forma que Jesus disse ao paralítico naquele dia, hoje também fala a você: "Levanta, anda" retome sua vida, você conta sempre com o amor e as misericórdias do Pai, mude essa situação, nós precisamos um dos outros. Deus nos fez como seres relacionais, ou seja, ninguém é feliz vivendo isolado numa ilha. Creia nas palavras de Jesus, decida se levantar e fazer a diferença. Nós como cristãos temos que ser conhecidos pelo amor de uns pelos outros, viva na dinâmica do amor de Cristo. Comece pela sua família, se importando com o que acontece com cada um e vá ampliando esse circulo. Jesus é a tua companhia, mas Ele deseja que você também seja a companhia de alguém. Jesus realizou o milagre na vida daquele homem, mas o milagre podia já ter acontecido há muito tempo se alguém se dispusesse a ajudá-lo. Seja você esse alguém hoje, se coloque como instrumento nas mão de Deus para que o milagre aconteça também na vida de outras pessoas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. João 8:8


O que Jesus escrevia na terra, no momento em que apresentam diante dele uma mulher "pega" em flagrante adultério? Muitas teorias são formuladas, mas ninguém sabe o que foi. Ao ouvir essa história pela primeira vez, uma mulher que vivia da prostituição intuiu: "Eu sei porque Jesus se inclinava no chão para escrever...na verdade ele fez isso para esconder suas lágrimas, porque estava diante dele o povo de Deus, aqueles que deveriam amar, perdoar e ser sinal de Deus no mundo, fazendo exatamente o contrário do que Deus esperava deles." É uma interpretação interessante, que nos move a pensar: onde está a igreja do Senhor? Em que ela tem se ocupado? Tem-se tomado horas criando ferramentas para punir e apontar os erros e nenhum tempo para socorrer e amar as pessoas...será que não estamos caindo no mesmo erro dos fariseus? Deus tenha misericórdia de nós!

domingo, 23 de outubro de 2011

Óbito...


Finalmente chegou o dia! Abriu a geladeira pegou leite...arrumava a mesa enquanto a água do café fervia; o telefone toca, é a amiga confirmando a festa daquela noite; logo o cheiro de café recém-coado invade a casa, e ela fica ali, sorvendo tranquilamente seu café com leite... levanta-se vai até a porta da frente pegar o jornal, passa os olhos nas notícias pensando: "nossa, mais acidentes, mais roubos e mortes..." Em seguida pega seu cachorro é dia de levá-lo à tosa...vai ao supermercado comprar "o que está faltando" e acaba decidindo almoçar "por ali mesmo". Na volta, passa na manicure...De novo em casa liga para o neto, hoje ele completava 12 anos...Vê um filme na TV "e chamam isso de comédia?!" adormece no sofá e só acorda com o som do início do programa de calouros que invade as nossas tardes de sábado... toma banho demoradamente "como isso é revigorante!" O melhor vestido era o vermelho, transmitia toda a alegria que sentia "por dentro". Os sapatos novos finalmente seriam usados... maquiagem bem básica...cabelos escovados...ouve uma buzina, sua carona chegou. "Que festa animada, preciso sair mais"... "Esse som alto está me dando dor de cabeça..." "Vou ao banheiro..." "Não estou me sentindo bem, acho que foram aqueles salgadinhos..." "Que parar que nada, ainda quero dançar muito essa noite."...a outra em meio aos soluços e o choro desconsolado tentava explicar:"reclamou de dor de cabeça e desmaiou de repente"... "melhor avisar a família..." "Sim, óbito...infelizmente...!"