Escrita ativa...

Acompanhe-me neste espaço de reflexões cotidianas e teológicas.




domingo, 2 de setembro de 2012

Olhos nos olhos...

Ela sempre com aqueles olhos atentos como se estivesse a indagar o porquê do mundo.. eu quis desviar o olhar mas achei que lhe devia uma resposta, foi aí que arrisquei: " - Esse mundo é mesmo estranho filha...  sabe, tem muitas coisas que a gente não entende  e, às vezes, buscar explicações nem sempre é a melhor escolha... Mas tem muita coisa boa aqui também... a música é algo de que você vai gostar muito... o sorriso nas pessoas é algo inspirador que faz bem a nossa alma... e a chuva, ah você vai gostar de ouvir o barulho da chuva, ver toda aquela água caindo dos céus e regando a terra é mesmo maravilhoso, um verdadeiro poema divino...e as cores, você vai ficar radiante com a quantidade de cores existentes no mundo e..." De repente percebi seu olhar fixo numa pelúcia na parede, como se a pergunta que a intrigasse fosse : "- Porque você encheu meu quarto com essas girafas?!"...

terça-feira, 24 de julho de 2012

"Pelas mãos de uma criança"



O texto do profeta Isaías no capítulo 11,6 nos fala do reinado do Messias, um tempo de paz, um tempo de justiça, harmonia e plenitude. Em meio a diversas citações o profeta diz que nesse tempo "uma criança nos guiará". Creio que temos tido em nossos dias uma prévia do que será no momento do reinado pleno do Senhor Jesus. Observando as crianças da nossa comunidade podemos ver claramente o quanto elas se alegram em ir a Casa do Senhor; estão sempre com semblante feliz, ensaiam, participam de cantatas, teatros e tudo sem reclamar ou dizer que estão sobrecarregadas. Há uma alegria intensa nas crianças nos momentos de louvor, fico observando como elas cantam, pulam e se alegram na presença do Senhor, e mais ainda, querem participar: entregar os boletins, recolher os cálices após a Santa Ceia, dar testemunho... Jesus disse que temos que ser como crianças e é preciso uma intensa reflexão sobre isso. Muitas vezes nos achamos adultos sérios e compromissados com o evangelho, mas não encontramos tempo para viver a alegria do Senhor. Se um irmão peca contra nós, ou vice-versa, guardamos aquilo no coração que como gangrena vai nos consumindo por dentro, ao passo que quando duas crianças brigam isso dura apenas minutos e logo estão juntas correndo e vivendo a Plenitude que o Senhor nos oferece. Com frequência pensamos que somos nós quem temos que ensinar as crianças, mas temos mesmo é que aprender muito com elas. Recentemente uma garotinha da Congregação Betel queria louvar a Deus com um cântico, ensaiou em casa e veio pronta mas na hora "H" ficou com medo de cantar em frente aos adultos. Conversando com ela a respeito, fiquei surpresa e honrada ao ouvir "Se você segurar na minha mão eu canto." E lá fomos as duas pra frente para que ela louvasse ao Senhor cantando "minha vitória hoje tem sabor de mel". Ela só precisava sentir-se segura e fiquei muito feliz por Deus ter me usado para proporcionar segurança a essa garotinha; e alegre por saber que temos a cada dia uma nova oportunidade de aprender com as nossas crianças, porque elas ainda confiam em nós adultos. Que o Senhor nos abençoe e nos impulsione a correspondermos ao desafio de sermos guiados por uma criança. Fraternalmente, Reverenda Núria Lisboa Sales.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre ouvir e temer...




Deuteronômio 21.18-21
Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,
Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar;
E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.
No contexto do AT a maneira usada para exortar as pessoas a terem uma forma de vida correta, em que favorecesse uma boa convivência em comunidade e ao mesmo tempo demonstrasse fidelidade a Deus, era por intermédio das leis. Moisés dividiu o povo em tribos e sobres essas tribos constituiu capitães (Dt.1-15) que se encarregavam de fazer cumprir as leis para que não reinasse o mal no meio do povo. O texto de Deuteronômio fala sobre o que era preciso fazer /quais os procedimentos para se aplicar aos filhos desobedientes. Esses procedimentos consistiam em 04 fases: 1ª que a disciplina deveria ser algo constante na vida das famílias. a função dos pais era ensinar, instruir, disciplinar os filhos; isso no âmbito familiar que é lugar de paciência e dedicação. O texto nos mostra que agindo desta forma, que era o primeiro passo da lei, os pais não tiveram êxito, porque o filho não queria dar ouvidos a voz dos pais e continuava desobediente, rebelde, obstinado e indisciplinado; e mesmo com o castigo dos pais não lhe dava ouvidos. Esgotado todos os esforços dos pais, a 2ª fase era levá-lo aos anciãos da cidade, no portão da cidade. Os anciãos eram os responsáveis pelo cumprimento da lei no âmbito social e usavam como local de julgamento os portões de entrada das cidades. Era necessário que os pais fizessem isso, porque caso contrário a lei seria contra eles, que estariam permitindo e acobertando o mal (desobediência, rebeldia e obstinação) no meio do povo. Na terceira fase, diante dos anciãos era necessário que os pais apresentassem todas as queixas contra o filho, bem como suas tentativas de corrigi-lo. A 4ª fase era quando acontecia o julgamento. a partir de tudo que lhe é declarado, os anciãos decretam a sentença: morte por apedrejamento! Isso porque habitavam uma região onde há muitas pedras, então essa era uma maneira de extirpar o mais rápido possível o mal do meio do povo. Desta forma, ao exemplo do que aconteceu ao rapaz toda Israel iria "ouvir e temer" e a lembrança do sangue derramado todos recomeçariam suas vidas apartados do mal. Porém, se procurarmos na Bíblia algum momento em que aconteceu um fato como esse certamente não encontraremos. O que encontraremos, no NT, é O Filho, entregando sua vida, derramando seu sangue numa cruz para redimir toda a humanidade dos seus pecados e aproximar-nos de Deus. A expiação pelos nossos pecados não vem mais de um sangue que é derramado cada vez que se comete um mal e sim de um único sacrifício, pleno, perfeito e absoluto que Jesus Cristo fez por nós, cravando na cruz a cédula com a sentença que nos era contrária (Cl. 2.14). Que o nosso Deus nos dê a graça de compreendermos a amplitude do sacrifício de Jesus por nós; e que de nossa parte aprendendo a valorizar esse sacrifício prossigamos na caminhada cristã rumo a vontade de Deus. Amém.
(baseado na aula de AT ministrada pelo prof. Dr. Tércio M. Siqueira).

terça-feira, 20 de março de 2012

Falta uma coisa...


Na leitura dos evangelhos sempre encontramos Jesus em movimento, o ministério de Jesus é regido pela dinâmica do Espírito Santo. A proposta de Jesus nos revela essa dinâmica em Mt.28.19 "Indo por todo o mundo..." E aqui mesmo no capítulo 10 de Marcos há uma grande movimentação de Jesus. Ele se punha a caminho porque era exatamente aí que se encontrava com aqueles que precisavam dEle: no caminho! No meio do povo, entre as pessoas, conhecendo de perto a necessidade de cada um. Assim, a primeira lição que aprendemos com este texto é a respeito da dinâmica do ministério de Jesus; e nós como herdeiros dEle temos também que resgatar como igreja essa mesma vocação. Precisamos ser uma igreja que vai ao encontro das pessoas, uma igreja que se põe no caminho, no meio do povo abrindo-se para conhecer as necessidades da comunidade na qual está inserida. Isto porque Jesus não nos chamou para brincar de estátua, mas para a dinâmica de vida promovida pelo Espírito Santo, que sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem para onde vai. O Senhor nos convoca para juntamente com Ele nos colocarmos no caminho. O homem do text em questão (Marcos 10.17-22) só pode encontrar-se com Jesus porque Ele estava no caminho. Outro ponto a ser analisado é que no caminho Jesus se revela. No texto vemos um homem ansioso por respostas que ninguém, até aquele instante, tinha conseguido responder satisfatoriamente. Ouvindo falar de Jesus, seguiu-o de perto, presenciou seus milagres, simpatizou com sua doutrina e no momento oportuno achegou-se a presença de Jesus. E a forma como este homem agiu nos revela que sabia muito bem com quem estava falando e Jesus neste momento se revela àquele homem. Se revela como o único que pode atender aos anseios e inquietações do coração dele. E agora sim, juntos no caminho, com Jesus o conhecendo bem, decide então revelar ao homem o que precisava/faltava mudar em sua vida. Falta uma coisa: colocar Deus em primeiro lugar na sua vida. Jesus usa aqui um artifício de retórica e ao listar os mandamentos omite o primeiro, porquê? Penso eu que seja para que o próprio homem chegasse a conclusão de que este mandamento "Amar o Senhor teu Deus acima de todas as coisas", não estava presente na vida dele. Isso nos leva a refletir o quê nós temos deixado ocupar o primeiro lugar nas nossas vidas? Jesus se põe no caminho, vai ao seu encontro, responde a inquietação do teu coração e te corrige: "Ainda te falta uma coisa!" como se dissesse: "Eu ando ao seu lado, conheço as tuas obras, vejo a sinceridade que você demonstra em querer me obedecer, mas te falta uma coisa... Há algo que precisa mudar, há algo que está te atrapalhando na caminhada comigo, nossa comunhão com isso fica prejudicada...Deus sabe o que precisamos, mas nos diz também aquilo que precisamos mudar. ele não força ninguém, antes, nos olha com amor e nos propõe: "Vem, segue-me". A resposta a ele somente você pode dar...que inspirados pelas palavras do texto possamos permitir que Deus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas para honra e glória do nome Dele. Amém.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Maturidade...


A idade adulta é marcada principalmente pela capacidade intelectual de compreender e assimilar melhor cada situação. Pela capacidade de articular as palavras de tal maneira que com diálogo se consiga resolver os dilemas do convívio social. Pela capacidade de entender que a vida é desse jeito e nem sempre podemos dar a ela o formato que sonhamos; é ter os pés no chão e o coração na esperança. É aceitar que cada pessoa é diferente da outra (e isso é o mais bonito de tudo) e por isso há que se respeitar os pensamentos diferentes. Ser adulto é compreender que é possível conviver com quem é diferente ou pensa diferente de nós; é saber que (ainda bem) não somos os donos da verdade, e por isso, também valorizar a experiência do outro. Ser adulto é saber que podemos mudar de opinião sem afetar nossos valores, caráter e personalidade. É saber que podemos vibrar por mais um dia de vida e voltar pra casa sabendo que a família é o nosso bem mais precioso. É compreender que não vale a pena brigar por causa de "coisas"... na verdade é saber que não vale a pena brigar; é trocar "isso" pela capacidade de reconciliar-se (consigo principalmente)...a idade adulta é marcada pela Maturidade. E ainda não aprendemos...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desespero...




As vezes em sua função de rodar o mundo acaba indo depressa demais,
nos fazendo ficar tontos,
e porque estamos tontos sentimos nos faltar o chão,
e porque já não temos chão nossos passos são vacilantes
por vacilarem nossos passos todo nosso equilibrio é afetado
e assim já não podemos mais dar conta de quem somos (ou devemos ser)
nos tornamos completos desconhecidos a nós mesmos
as mãos já não tocam mais,
os olhos não querem mais fixar no alvo,
os pensamentos vão e vem,
só nos resta o grito.
E porque a situação é tão dramática
não sei de onde, mas tiramos forças
para gritar tão intensamente
de maneira que alcance o coração de Deus.
E então Ele vem em nosso socorro,
Ele sempre vem,
fazendo do caos um jardim,
e dizendo a tudo que nos atormenta: Silêncio!
e tudo toma seu lugar novamente
e só assim caminhamos em paz...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Angélica...


Dizem que uma bala é perdida quando ela não atingiu o fim a que foi designada... aquela bala se "perdeu" por acidente, mas havia um nome, um destino pra ela. Interessante que bala e destino poderiam nesse caso até serem sinônimos, porque um tiro de bala, perdida ou não, muda drasticamente a história de vida de uma pessoa, seja adulto ou criança. A bala com endereço pode até ser adiada, mas não é esquecida, a demora na entrega até aguça mais o instinto do atirador. Balas vão e vem, perdidas e achadas e nós ficamos ali, passivamente assistindo o bang bang... Apáticos, como se nada disso tivesse a ver com nossa vida... Precisamos acordar dessa pasmeceira em que nos metemos e passarmos a ser agentes de mudança na vida e na sociedade. Não podemos entrar no meio do tiroteio mas podemos criar, apoiar e incentivar a criação de espaços em que as crianças e adolescentes tenham oportunidade de aprendizagem, de usar sua criatividade e inteligencia para o bem comum... Estamos em falta queridos, estamos em grave falta!