Sempre fui do tipo de pessoa que costuma ver todas as coisas pelo lado de sua
utilidade. Gosto de coisas que sejam úteis, pra mim e para as outras pessoas. Na hora de bater
o martelo na escolha final de algum presente, me pauto pelos critérios da utilidade, descartando
logo algo que vá servir somente como enfeite.
Assim, em minha lista de presentes, nunca figuravam quadros, bibelôs, ou enfeites de
qualquer espécie e muito menos flores! Veja só que coisa mais inútil presentear alguém com
flores! Elas são muito alegres e bonitas, mas sua durabilidade é tão pouca. Logo,
murcham, secam, morrem e junto com elas vai-se a beleza do momento. Morrendo a flor,
acabou o presente ... Que chatice! De que adianta serem belas, se efêmeras?
Na verdade até gostava de vê-las ali, no jardim, onde sua vida tem a possibilidade de ser
mais longa. Mas se as arrancavam dali para presentear alguém, a meu ver, logo perdiam o encanto.
Mas, nem tudo é tão simples assim, as flores são astuciosas - o Pequeno Príncipe que o
diga. E não é que, mesmo pensando desta maneira, certa vez me rendi aos caprichos de uma
flor. ..
Lembro que pela manha ao sair para o trabalho numa conversa com minha mãe, fui
ríspida, dando uma resposta muito malcriada pra ela, saindo em seguida para trabalhar.
Talvez pra ela isso tivesse acabado ali - são tão compreensivas as mães! Mas pra mim
não, fiquei o dia todo me condenando por aquela resposta mal-dita, e muitas vezes durante
aquele dia agi como Alice - a do pais das maravilhas - puxando minhas próprias orelhas pelo
mal feito.
E foi no final do expediente, no caminho de volta pra casa, que ao passar por uma
floricultura, me ative por um longo momento olhando uma rosa. Na verdade, era um botão de
rosa. Rosa vermelha. Tão vermelha como nunca tinha visto! Aquele vermelho me encheu os
olhos, entrei na floricultura. Cheguei perto da rosa e aspirei-lhe o perfume. Tão intenso e tão
suave ao mesmo tempo! Pedi a moça que fizesse um embrulho bem bonito. Continuei meu
caminho. Eu e a rosa.
Eram ainda mais uns quinze minutos de caminhada até o ponto de ônibus e nesse
trajeto, quando o vento soprava anunciando fim de tarde e início da noite, eu podia novamente
sentir-lhe o perfume. Lembrei de minha mãe. Ela iria gostar. Gostava de flores, muito. Quando
se gosta de flores, entende-se a linguagem de quem as oferece, não há necessidade de muitas
palavras, tudo vira abraço, sorriso e festa.
Era hora do jantar, e tudo já estava resolvido, cada coisa no seu devido lugar. E ela, a rosa,
ali, num espaço que e só dela, um espaço que vai além do vaso com água no centro da mesa. 0
mundo da rosa é o mundo da linguagem emotiva, sua função é demonstrar amor,carinho,
afeto e dar vazão a fala desajeitada dos sem-palavras.
Aprendi a lição, não dá pra medir a utilidade das flores a partir daquilo que
conhecemos e estabelecemos como normas, elas estão muito além disso tudo, sua presença
transcende um espaço onde ainda figuramos como peregrinos.
Antes de dormir, pensei mais uma vez na rosa, seu vermelho intenso, o perfume suave,
agradeci a Deus por ter criado as flores e as mães, então adormeci.
utilidade. Gosto de coisas que sejam úteis, pra mim e para as outras pessoas. Na hora de bater
o martelo na escolha final de algum presente, me pauto pelos critérios da utilidade, descartando
logo algo que vá servir somente como enfeite.
Assim, em minha lista de presentes, nunca figuravam quadros, bibelôs, ou enfeites de
qualquer espécie e muito menos flores! Veja só que coisa mais inútil presentear alguém com
flores! Elas são muito alegres e bonitas, mas sua durabilidade é tão pouca. Logo,
murcham, secam, morrem e junto com elas vai-se a beleza do momento. Morrendo a flor,
acabou o presente ... Que chatice! De que adianta serem belas, se efêmeras?
Na verdade até gostava de vê-las ali, no jardim, onde sua vida tem a possibilidade de ser
mais longa. Mas se as arrancavam dali para presentear alguém, a meu ver, logo perdiam o encanto.
Mas, nem tudo é tão simples assim, as flores são astuciosas - o Pequeno Príncipe que o
diga. E não é que, mesmo pensando desta maneira, certa vez me rendi aos caprichos de uma
flor. ..
Lembro que pela manha ao sair para o trabalho numa conversa com minha mãe, fui
ríspida, dando uma resposta muito malcriada pra ela, saindo em seguida para trabalhar.
Talvez pra ela isso tivesse acabado ali - são tão compreensivas as mães! Mas pra mim
não, fiquei o dia todo me condenando por aquela resposta mal-dita, e muitas vezes durante
aquele dia agi como Alice - a do pais das maravilhas - puxando minhas próprias orelhas pelo
mal feito.
E foi no final do expediente, no caminho de volta pra casa, que ao passar por uma
floricultura, me ative por um longo momento olhando uma rosa. Na verdade, era um botão de
rosa. Rosa vermelha. Tão vermelha como nunca tinha visto! Aquele vermelho me encheu os
olhos, entrei na floricultura. Cheguei perto da rosa e aspirei-lhe o perfume. Tão intenso e tão
suave ao mesmo tempo! Pedi a moça que fizesse um embrulho bem bonito. Continuei meu
caminho. Eu e a rosa.
Eram ainda mais uns quinze minutos de caminhada até o ponto de ônibus e nesse
trajeto, quando o vento soprava anunciando fim de tarde e início da noite, eu podia novamente
sentir-lhe o perfume. Lembrei de minha mãe. Ela iria gostar. Gostava de flores, muito. Quando
se gosta de flores, entende-se a linguagem de quem as oferece, não há necessidade de muitas
palavras, tudo vira abraço, sorriso e festa.
Era hora do jantar, e tudo já estava resolvido, cada coisa no seu devido lugar. E ela, a rosa,
ali, num espaço que e só dela, um espaço que vai além do vaso com água no centro da mesa. 0
mundo da rosa é o mundo da linguagem emotiva, sua função é demonstrar amor,carinho,
afeto e dar vazão a fala desajeitada dos sem-palavras.
Aprendi a lição, não dá pra medir a utilidade das flores a partir daquilo que
conhecemos e estabelecemos como normas, elas estão muito além disso tudo, sua presença
transcende um espaço onde ainda figuramos como peregrinos.
Antes de dormir, pensei mais uma vez na rosa, seu vermelho intenso, o perfume suave,
agradeci a Deus por ter criado as flores e as mães, então adormeci.
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